INFECÇÃO

Fungo negro: como se prevenir do contágio? Já existe tratamento para a infecção rara? saiba respostas


Mucormicose conhecida porpularmente por "fungo negro" está em crescimento vertiginoso na Índia e, neste ano, já foram registrados casos no Brasil

com informações da BBC News
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Publicado em 05/06/2021 às 11:25
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Conhecida popularmente como "fungo negro", uma mucormicose que é causada por fungos e vem registrando um crescimento vertiginoso na Índia, onde já acometeu quase 9 mil pacientes com covid-19, está preocupando as autoridades de saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registrou neste ano, até o momento, 29 casos de mucormicose, comparado com 36 casos em todo o ano de 2020. Diante dessa realidade, muitas pessoas se perguntam: Como se proteger? Existe alguma forma de tratamento?

O Ministério da Saúde esclarece, no entanto, que "não é possível relacionar, até o momento, os casos de mucormicose registrados no Brasil com a covid-19 e as variantes do vírus". Apesar disso, o número de casos só neste ano chama atenção, pois já está próximo do total em todo o ano passado, e coincide com o agravamento da pandemia de covid-19 no país.

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A doença mata mais de 50% dos acometidos. Muitos precisam passar por cirurgias mutilantes, que retiram partes do corpo afetadas pelo micro-organismo, como os olhos.

Em entrevista recente à BBC News Brasil, epidemiologistas disseram que, embora os relatos vindos da Índia sejam preocupantes e precisem ser acompanhados de perto, não são motivo de grande alarme. Eles acrescentaram ser improvável que um cenário parecido se repita no Brasil ou em outros lugares do mundo.

"Essa situação local não constitui uma ameaça à saúde pública global", disse o infectologista Alessandro Comarú Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

"A mucormicose não é algo que vai se espalhar pelo mundo", acrescentou o também infectologista Flávio de Queiroz Telles Filho, professor da Universidade Federal do Paraná. E esse baixo potencial de perigo pode ser explicado por dois motivos. Em primeiro lugar, esses fungos são conhecidos e estudados desde o final do século 19. Segundo, eles já circulam livremente por boa parte do mundo, inclusive no Brasil.

Tratamento - como se prevenir?

Tudo começa com a prevenção. "As equipes de saúde precisam ter muito cuidado com a higiene e a lavagem das mãos, principalmente quando vão mexer nos cateteres e demais dispositivos que estão próximos do paciente", recomendou Telles Filho, em entrevista à BBC Brasil.

Desse modo, já é possível evitar a contaminação desses materiais e a entrada de fungos pela respiração ou pelos vasos sanguíneos.
Outra tática usada em hospitais, especialmente nas alas que recebem os pacientes com sistema imune muito comprometido (como aqueles que passaram por um transplante de medula óssea, por exemplo) é a instalação de filtros Hepa nos sistemas de ventilação.
Esse material tem fibras capazes de reter partículas muito pequenas — entre elas, esporos de Aspergillus que poderiam invadir o organismo das pessoas mais debilitadas.

Uma terceira estratégia é lançar mão de remédios antifúngicos de forma profilática, para evitar que uma infecção oportunista apareça.
"Isso vale para alguns casos de câncer, mas não se encaixaria em quadros de covid-19", explicou Telles Filho.
Do ponto de vista individual, vale sempre tomar cuidado com a própria saúde e manter doenças crônicas, como o diabetes, sob controle.

"Também precisamos pensar no ambiente em que vivemos. Hoje em dia, passamos boa parte de nosso tempo em lugares fechados, então precisamos nos preocupar com a umidade e a ventilação", recomendou Pasqualotto. O médico chama a atenção para o acúmulo de água e matéria orgânica em decomposição na geladeira e na despensa e diz que precisamos ficar atentos ao aparecimento de mofo nas paredes ou dentro de armários na cozinha e no banheiro. "Precisamos tirar o alimento para que os fungos não se desenvolvam", acrescentou.

Infecção - como ocorre?

Mas como esses seres microscópicos invadem o corpo humano?

No geral, eles podem ser aspirados pelo próprio paciente ou entrar através dos tubos e cateteres que ficam ligados nas veias.
Outra origem é o intestino: como os fungos colonizam boa parte do sistema digestivo junto com as bactérias, eles podem aproveitar um desequilíbrio na microbiota (causada pelo uso de antibióticos, por exemplo) para ganhar terreno ali mesmo ou até invadir a circulação sanguínea.

Cada um desses fungos pode afetar uma parte específica do organismo: a mucormicose, que ganhou destaque nos últimos tempos, costuma entrar pelo nariz e logo invade os vasos sanguíneos do rosto, criando manchas escuras por onde passa (daí a alcunha "fungo negro"). Numa situação normal, é bem provável que o sistema imunológico consiga lidar com esses avanços fúngicos para evitar repercussões maiores. Mas, em um momento de fragilidade causado pela covid-19, esse mecanismo natural de defesa pode não funcionar tão bem e permitir que Mucor, Aspergillus, Candida e companhia limitada causem estragos. "É como se o coronavírus começasse o serviço e os fungos completassem a tarefa", disse Pasqualotto.

Índia

Um alto funcionário do governo indiano, V. K. Paul, afirmou que "não há um grande surto" de mucormicose. No entanto, um número crescente de casos foi notificado em todo o país, chegando a mais de 8,8 mil na última semana. "Já estamos vendo dois ou três casos por semana aqui. É um pesadelo dentro de uma pandemia", diz Renuka Bradoo, do Hospital Sion, em Mumbai.

Baxi tratou cerca de 800 pacientes diabéticos com covid-19 no ano passado e nenhum deles contraiu a infecção por fungos.Em vez disso, seu paciente mais jovem no mês passado era um homem de 27 anos que nem era diabético. "Tivemos que operá-lo durante sua segunda semana de covid-19 e tirar seus olhos. É bastante devastador." O Conselho Indiano de Pesquisa Médica e o Ministério da Saúde conclamam a população a manter a higiene pessoal e doenças como diabetes sob controle. Eles também foram aconselhados a usar sapatos, calças compridas, camisas de mangas compridas e luvas ao manusearem sujeira, musgo ou esterco para evitar a exposição ao fungo.


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