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Após destaque na CPI da Covid, médica Luana Araújo ganha seguidores nas redes sociais e, a pedidos, tira dúvidas sobre 'fungo negro'; assista


Na publicação, a infectologista Luana Araújo disse que os seus seguidores pediram que ela explicasse o que é o "fungo negro"

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 07/06/2021 às 16:15
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FOTO: Reprodução/ Instagram
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A médica infectologista Luana Araújo, que ganhou destaque na semana passada durante seu depoimento à CPI da Covid, no Senado, publicou um vídeo em sua conta do Instagram, nesta segunda-feira (7), para tirar dúvidas sobre a mucormicose, popularmente conhecida como “fungo negro”. A especialista ganhou milhares de seguidores desde que fez comentários contundentes em seu depoimento contra a atuação do Governo Federal no combate à pandemia da covid-19.

“Esse fungo negro, que a gente chama de mucormicose, não causa infecção de forma comum. As infecções por esse fungo são super raras, e acontecem em pacientes com um perfil muito específico. Fora dessa loucura de covid, a gente vê esse tipo d caso, por exemplo, em pacientes que passam por tratamentos ou têm doenças que diminuem demais a imunidade. Pacientes com câncer, hematológicos, transplantados são normalmente a população em que a gente vê esse tipo de infecção ocorrendo mais frequentemente, embora ainda raras”, explicou a médica.

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A infectologista aponta a relação do fungo negro com a pandemia. “A covid-19 em si não reduz a imunidade do paciente o suficiente para que esse tipo de fungo consiga se proliferar, invadir e causar a doença. Mas existe um paciente específico que está mais sob risco, que é aquele que já tem uma doença de base, e a mais comum é a diabetes, que causa um aumento da glicose. Esse aumento descontrolado de açúcar no sangue não só causa diminuição da nossa resposta imunológica, como também serve de alimento para o fungo”, detalhou. “Nesses pacientes que são descontrolados, que evoluem com covid grave, normalmente a gente entra com corticoides, esse corticoide também é capaz de impedir uma resposta imunológica favorável", completou.

Ela lembrou que os casos não são casos comuns e comentou que “a Índia tem uma das maiores concentrações de diabéticos descontrolados do mundo”, o que pode estar potencializando os riscos dos pacientes com covid-19 desenvolverem o fungo.

Assista:

Médica na CPI

A médica infectologista Luana Araújo afirmou em depoimento à CPI da Covid, no Senado, no dia 2 de junho, que desconhecia o motivo de não ter sido efetivada na Secretaria de Enfrentamento à Covid 19, do Ministério da Saúde. Questionada se sua posição pública contrária ao uso da cloroquina no tratamento de pacientes com a doença teria sido a razão, ela também não soube responder.

Luana Araújo havia sido convidada pelo ministro da pasta, Marcelo Queiroga, no dia 11 de maio, mas não foi nomeada. Luana Araújo, que é consultora em saúde pública, com mestrado na universidade norte-americana Johns Hopkins, disse que aceitou o convite do ministro, com a condição de ter a autonomia e respeito à ciência.

A médica ressaltou a importância do fortalecimento da saúde básica no enfrentamento dos casos da doença e a importância do SUS nessa jornada. E defendeu uma mensagem única como forma de esclarecer e trazer confiança à população a respeito do que precisa ser feito.

Perguntada sobre o uso de hidroxi-cloroquina no chamado “tratamento precoce” da covid 19, ela apontou que o medicamento não é demonizado, mas que hoje é considerado inadequado pela comunidade científica internacional.

Luana Araújo disse ainda que a vacinação e o uso de medidas sanitárias preventivas são de extrema importância no enfrentamento a pandemia.

Quando questionada sobre “imunidade de rebanho”, Luana Araújo apontou que ela só poderia ser atingida com a vacinação em massa, já que o vírus da covid-19 sofre mutações.


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