Ato

Manifestantes protestam contra Bolsonaro no Recife, apesar de recomendação do MPPE sobre aglomerações

Um ato a favor de Bolsonaro está programado para este domingo (20)

Karina Costa Albuquerque
Karina Costa Albuquerque
Publicado em 19/06/2021 às 11:05
Tião Siqueira/ JC Imagem
FOTO: Tião Siqueira/ JC Imagem
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Na manhã deste sábado (19), foi realizado um ato contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no Recife. Por volta das 10h15, os manifestantes saíram da concentração, na Praça do Derby, área central da cidade, em direção ao centro. A manifestação ocorreu a despeito da recomendação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para a não realização de atos que provocassem aglomerações. A manifestação foi pacífica e sem a ação da Polícia Militar como ocorreu no ato anterior, realizado no dia 29 de maio, onde duas pessoas que não estavam no protesto ficaram parcialmente cegas após serem atingidas pela pela polícia

O presidente da CUT-PE, Paulo Rocha, relatou uma maior público no ato deste sábado (19). "A gente tinha um problema com a chuva, que a gente estava com medo. Mas teve um público muito bom, foi positivo. A primeira avaliação é de que foi extremamente importante a gente ter mantido (o ato) na medida de que a gente continua com o governo federal sem uma postura correta na defesa da vacina, com auxílio, continua desdenhando da vida das pessoas", disse.

A equipe de reportagem da TV Jornal presenciou a formação de aglomerações, mas todas as pessoas utilizavam máscaras e tentavam manter o distanciamento social. Em determinados momentos, os manifestantes fizeram fila indiana durante o percurso.

"Todo mundo de máscara boa, todo mundo com distanciamento, está rolando muito álcool 70% na mão de todo mundo. A gente está aqui para mostrar que para tirar o genocida precisa de muita gente organizada na rua e na rua com responsabilidade, é isso que a gente faz", disse Ivan Moraes em vídeo publicado nas suas redes sociais.

Participaram do ato políticos como a deputada federal Marília Arraes (PT), o mandato coletivo das Juntas (Psol) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), os vereadores do Recife Ivan Moraes (Psol) e Dani Portela (Psol) e o ex-deputado federal Paulo Rubem Santiago (Psol).

>> Final de semana tem atos contra e a favor de Bolsonaro previstos em Pernambuco

Recomendação do MPPE

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) divulgou uma recomendação, na última quinta (17), pedindo que os envolvidos na organização das manifestações se abstenham de provocar aglomerações, para prevenção de contágio pelo novo coronavírus (covid-19).

O órgão considera o atual decreto estadual em vigor (Decreto Estadual nº 50.846), com as medidas restritivas em Pernambuco, para conter o avanço da doença.

Ele estabelece que "permanece vedada no Estado a realização de shows, festas, eventos sociais e corporativos de qualquer tipo, com ou sem comercialização de ingressos, em ambientes fechados ou abertos, públicos ou privados, inclusive em clubes sociais, hotéis, bares, restaurantes, faixa de areia e barracas de praia, independentemente do número de participantes".

Motociata

Já os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro agendaram para o domingo (20) uma "motociata" - um ato em que os manifestantes seguirão de motocicletas pelas ruas. Eles prometem respeitar as normas de distanciamento na concentração, não fazer comícios e não usar faixas. A concentração será na beira-mar de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, nas proximidades da igrejinha do bairro, às 10h. Eles seguirão até o Centro de Convenções, em Olinda.

29 de maio

Protestos contra o presidente Jair Bolsonaro foram realizados em todo o país, no dia 29 de maio. No Recife, a manifestação teve concentração às 9h na Praça do Derby, de onde os participantes saíram em caminhada pelas ruas da área central da capital. Quando chegaram à Ponte Duarte Coelho, policiais militares fizeram um bloqueio e atiraram contra os manifestantes, usando balas de borracha, sprays de pimenta e gás lacrimogêneo. Dois homens, que não participavam do protesto, foram feridos gravemente na região dos olhos. O arrumador Jonas Correia, de 29 anos e o adesivador de carros Daniel Campelo, de 51 anos, passavam pelo centro do Recife no momento da manifestação e acabaram feridos na ação policial. Os dois perderam parcialmente a visão.

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