Polícia Militar

'Vieram 10 viaturas para uma trabalhadora; para um ladrão não acontece isso': tapioqueira denuncia ação truculenta da Polícia Militar

Tapioqueira foi levada à delegacia por não ter fechado a barraca dentro do horário permitido para o funcionamento do comércio de rua, e faz denúncia

Karina Costa Albuquerque
Karina Costa Albuquerque
Publicado em 19/06/2021 às 12:04
Tião Siqueira/ JC Imagem
FOTO: Tião Siqueira/ JC Imagem
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Uma tapioqueira denunciou uma ação truculenta da Polícia Militar, nessa sexta-feira (18), no Centro do Recife. Tudo aconteceu na Rua 7 de Setembro, no bairro da Boa Vista, por volta das 21h. A comerciante Cristiane Santos, de 35 anos, afirma que foi abordada inicialmente por quatro policiais militares.

Segundo ela, eles ordenavam que o carrinho de lanches fosse recolhido imediatamente, por já ter ultrapassado uma hora do horário limite definido pelo decreto do Governo do Estado, que está em vigor até este domingo (20).

Denúncia

Cristiane alega que pediu mais tempo para conseguir tirar o carrinho do local. Ela conta que já havia parado de atender, mas precisava de mais um tempo para organizar e guardar o material de trabalho, pois trabalhava sozinha e esse processo requer muito esforço.

No entanto, mesmo assim, os policiais não compreenderam a situação e alegaram que iriam levá-la para a delegacia, e teria sido abordada de forma violenta, dessa vez, por outros policiais militares, que chegaram para dar reforço.

"Eles disseram que já chegou o horário e eu tinha que fechar. Eu estava fechando, aí o policial falou 'a gente vai para a delegacia, que você está demorando muito'. Eu falei 'eu trabalho só e são muitos itens e não dá para ser no tempo de vocês'. Aí eles falaram: 'você quer ensinar a gente a fazer o serviço?'. Eram quatro, me puxaram com tudo, dizendo que iam me levar para a delegacia. Eu disse que eu queria até o primeiro momento, mas eu precisava primeiro fechar as minhas coisas. Eles pediram reforço, vieram umas 10 viaturas para uma trabalhadora, sendo que para um ladrão não acontece isso", afirmou, em entrevista à TV Jornal, na manhã deste sábado (19). Cristiane Santos trabalha no local há, pelo menos, três anos.

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Violência

Em imagens enviadas para o WhatsApp da TV Jornal, é possível ver o filho de Cristiane chorando, enquanto a PM a aborda. Ela está no chão, cercada por, pelo menos, três policiais. Outros comerciantes e pessoas que passavam pelo local questionam a abordagem da polícia.

"Eu nem me recordo, mas eu acho que eu fui empurrada. Porque era muita gente, eu ia para um lado, eu ia para outro, porque eu não estava querendo ir, eu queria primeiro fechar a minha carroça, depois da finalização da carroça, eu iria, não tinha problema nenhum eu ir", afirmou.

A comerciante foi conduzida para a Central de Plantões da Capital, no bairro de Campo Grande, Zona Norte do Recife, e diz que só foi liberada, após o pagamento de uma fiança de R$ 1 mil. Ela registrou um boletim de ocorrência contra a ação dos policiais, e pede justiça.

"Eu quero justiça, porque isso está errado. Eles têm que ter paciência, eu sou um ser humano que está tentando levar o pão de cada dia para casa, eu não estou roubando", disse. "Eu tenho um filho para sustentar. Eu queria que quando eles fossem abordar, soubessem fazer o trabalho deles direito. Eles têm noção que é muita coisa para uma pessoa sozinha, eu sou mulher, e não tinha uma mulher no local, eles vieram tudo para cima de mim, e os populares vieram todos em cima deles também".

Polícia

A TV Jornal entrou em contato com a assessoria da Polícia Militar de Pernambuco solicitando posicionamento da instituição, mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria.

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