Transfobia

Transexual queimada no Recife, Roberta piora e tem quadro de altíssimo risco


Roberta Silva teve 40% do corpo queimado por adolescente; os dois braços da vítima foram amputados

Gabriel dos Santos Araujo Dias
Gabriel dos Santos Araujo Dias
Publicado em 06/07/2021 às 11:09
Acervo/JC Imagem
FOTO: Acervo/JC Imagem
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A mulher transexual vítima de um brutal ataque no centro do Recife piorou. Internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital da Restauração, Roberta Silva tem quadro de "altíssimo risco", informou a assessoria de imprensa da unidade de saúde nesta terça-feira (6).

Roberta sofreu queimaduras de terceiro grau. As chamas atingiram 40% do corpo da mulher. Na segunda, ela passou por nova cirurgia na pele. Antes, ela já havia sido submetida à amputação dos dois braços, devido à gravidade das lesões provocadas pelo fogo. Desde domingo (4), ela está intubada.

Em conversa com a codeputada estadual Robeyoncé Lima (Juntas/Psol), Roberta disse que a agressão foi motivada por discriminação. A comunidade LGBTQIA+ trata o assunto como um caso de transfobia, quando o crime é provocado pelo ódio que o agressor tem pelo fato da vítima ser transexual.

Um adolescente de 17 anos foi apreendido pela polícia e cumpre medida socioeducativa em uma unidade da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) de Pernambuco.

Violência contra LGBTQIA+ em Pernambuco

De acordo com a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, entre janeiro e maio de 2021, 13 pessoas LGBTQIA+ foram assassinados no Estado. Fora desses dados, além da tentativa de homicídio contra Roberta, a imprensa também já divulgou outros casos.

Em junho, Kalyndra Nogueira da Hora foi encontrada morta dentro de casa. O principal suspeito é o companheiro da vítima. Além disso, na última segunda-feira, a cabeleireira Crismilly Pérola Bombom, de 37 anos, foi encontrada morta em uma rua do bairro da Várzea, zona oeste do Recife, com um tiro na nuca. A família acredita que a morte de Pérola tenha sido motivada por preconceito. Um mês antes de ser morta, ela já havia ficada ferida em um outro ataque transfóbico.


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