Política

Após pedir para Lula abrir mão de candidatura, Eliane Cantanhêde diz que petista é um complicador da pacificação nacional


Em coluna no jornal O Estado de São Paulo no final de semana, a jornalista Eliane Cantanhêde disse que Lula não deveria ser cabeça de chapa em candidatura à presidência em 2022

Gabriel dos Santos Araujo Dias
Gabriel dos Santos Araujo Dias
Publicado em 12/07/2021 às 12:43
Foto: Reprodução/Internet
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Participante do Passando a Limpo da Rádio Jornal à segundas-feiras, a jornalista Eliane Cantanhêde escreveu uma coluna no jornal O Estado de São Paulo que repercutiu bastante no domingo (11). No texto, a jornalista disse que Lula deveria abrir mão da cabeça de chapa na candidatura à presidência da República em 2022 e aceitar o cargo de vice-presidente.

Na manhã desta segunda-feira (12), ela falou sobre o assunto no Passando a Limpo. “O Lula já é o grande vitorioso. O DataFolha mostra que o Lula ganharia em primeiro turno. Ele já é o favorito. Agora, ganhar a eleição é uma coisa. Governar, é outra. As condições em que o Lula assumiu em 2002, foram com um país pacificado, o Plano Real, a estabilidade da economia, o Fernando Henrique deixou tudo pronto e o Lula era quase uma unanimidade”, disse.

Em seguida, Cantanhêde elencou alguns motivos que, na avaliação dela, atrapalham a governabilidade de Lula. “Primeiro, ele terá 76 anos em outubro do ano que vem. Segundo, ele foi preso 500 e tantos dias. Ele está machucado, ressentido. Terceiro, as condições do país são muito piores do que quando ele assumiu depois de Fernando Henrique. Há um clima de devastação em várias áreas estratégicas para o país”, disse.

“O país está muito rachado. A pandemia com mais de 530 mil mortos, imagina quem vai assumir. Ai assume o Lula. Se roubarem R$ 10 em um Ministério, vem a manchete “Lula roubou, o governo roubou, o PT é ladrão”. O risco para o Lula, assumindo a rotina de uma nova presidência, é ele jogar fora os dois mandatos bem sucedidos [que ele teve]. Isola a questão da Lava Jato e da Petrobrás. Então, ele corre o risco de arranhar o legado de país que ele deixou”, acrescentou.

Eliane disse que Lula é um complicador da pacificação nacional e fez uma comparação com a ex-presidente argentina Cristina Kirchner. “O Lula é um complicador para a pacificação nacional. Nós temos um país rachado, desunido. Está tudo muito ruim. Você precisa de um movimento de pacificação nacional. O grande gesto seria como a Cristina Kirchner, na Argentina. Ele tem muito mais liderança, muito mais força [ que a Cristina]. Mas o Lula como vice seria o articulador, o grande avalista para a comunidade internacional. Ele entraria para a história, o homem que teve a grandeza, ele dá um golpe de mestre”, avalia Eliane.

Ouça a participação de Eliane Cantanhêde no Passando a Limpo:


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