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O que está acontecendo no Afeganistão hoje: veja as últimas notícias sobre o domínio do Talibã no país


O grupo extremista Talibã retomou o poder no Afeganistão após ofensiva iniciada no domingo (15)

Com informações da Agência Brasil
Com informações da Agência Brasil
Publicado em 17/08/2021 às 6:56
AFP
FOTO: AFP
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Desde domingo (15), quando o Talibã retomou o poder no Afeganistão, milhares de pessoas tentam desesperadamente lotaram a única pista do aeroporto de Cabul, capital do país, o que levou os Estados Unidos a suspenderem os voos de retiradas. A crise e o medo instalados correram o mundo.

Cinco pessoas morreram no caos no aeroporto de Cabul nesta segunda-feira, segundo testemunhas, enquanto as pessoas tentavam fugir do país depois que os insurgentes do Talibã tomaram Cabul e declararam o fim da guerra contra forças estrangeiras e locais. Uma autoridade dos EUA revelou à agência de notícias Reuters que dois homens armados foram mortos pelas forças dos EUA nas últimas 24 horas.

Reação aos protestos

As forças do Talibã reagiram com violência aos primeiros protestos realizados no Afeganistão após o grupo retomar o poder no país. Nesta quarta-feira (18), pelo menos três pessoas morreram e dez ficaram feridas ao serem alvejadas na cidade de Jalalabad depois de substituírem a bandeira do Emirado Islâmico pelo pavilhão oficial do Afeganistão.

  

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Fuga do país

As autoridades de segurança se esforçam para retirar pessoas do Afeganistão após o Talibã tomar o poder de Cabul, capital do país, no último domingo (15). Segundo a agência de notícias Reuters, mais de 2.200 diplomatas e outros civis já foram retirados em voos militares, até esta quarta-feira (18).

Ainda não está claro quando os voos civis serão retomados. Entre os que partem estão pessoal diplomático, seguranças estrangeiros e afegãos que trabalhavam para embaixadas.

O Talibã tem afirmado querer paz, que não se vingará de antigos inimigos e que respeitará os direitos das mulheres nos moldes da lei islâmica. No entanto, milhares de afegãos, muitos dos quais ajudaram forças estrangeiras lideradas pelos Estados Unidos (EUA) ao longo dos últimos 20 anos estão receosos e tentar deixar o país.

Não há detalhes sobre quantos afegãos estão entre as mais de 2.200 pessoas que partiram, nem ficou claro se essa cifra inclui os mais de 600 homens, mulheres e crianças afegãos que se espremeram em uma aeronave militar de carga norte-americana C-17 no domingo (15).

Sem recursos do FMI

O Afeganistão não terá acesso aos recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI), incluindo uma nova alocação de reservas de Direitos Especiais de Saque. A informação foi revelada, nesta quarta-feira (18), pela Instituição e a justificativa é a falta de clareza em torno do reconhecimento de seu governo após o Talibã ter assumido o controle de Cabul.

"Como sempre acontece, o FMI é guiado pelas opiniões da comunidade internacional", disse um porta-voz do FMI em um comunicado. "Atualmente, há uma falta de clareza na comunidade internacional em relação ao reconhecimento de um governo no Afeganistão, em consequência da qual o país não pode acessar DES ou outros recursos do FMI."

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Joe Biden acusa exército afegão de falta de vontade de lutar

Nesta segunda-feira (16), o presidente dos EUA, Joe Biden, defendeu a decisão de retirar as tropas norte-americanas do país e rejeitou as amplas críticas à decisão. A situação gerou uma enorme crise para seu governo.

"Eu mantenho totalmente minha decisão", disse Biden. "Depois de 20 anos, aprendi da maneira mais difícil que nunca era um bom momento para retirar as forças dos EUA. É por isso que ainda estamos lá", afirmou.

O presidente norte-americano afirmou que a missão dos Estados Unidos no Afeganistão nunca deveria ser de construção de uma nação. Ele ainda culpou a suposta relutância do Exército afegão em lutar contra o grupo militante pela volta do Talibã ao poder.

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"A verdade é: isso aconteceu mais rápido do que esperávamos. Então, o que aconteceu? Os líderes políticos do Afeganistão desistiram e fugiram do país. Os militares afegãos desistiram, às vezes sem tentar lutar", acrescentou.

Em sua defesa, Joe Biden ainda emitiu um aviso aos líderes do Talibã que a retirada dos EUA possa prosseguir desimpedida ou enfrentarão uma força devastadora.

Conselho de Segurança da ONU pede negociações para criar novo governo afegão

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniu nesta segunda-feira (16) e pediu o estabelecimento, por meio de negociações, de um novo governo no Afeganistão que seja "unido, inclusivo e representativo, inclusive com a participação plena, igualitária e significativa das mulheres".

O órgão de 15 membros também pediu o fim imediato das hostilidades e abusos dos direitos humanos e para que todas as partes permitam o acesso humanitário imediato, seguro e desimpedido.

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Comitê Paralímpico Afegão diz que atletas não irão ao Japão

Zakia Khudadadi seria a primeira mulher a representar o Afeganistão em uma Paralimpíada
Zakia Khudadadi seria a primeira mulher a representar o Afeganistão em uma Paralimpíada
Reprodução/ Internet

Radicado em Londres, o chefe de missão do Comitê Paralímpico Afegão, Arian Sadiqi, informou nesta segunda-feira (16) que os dois atletas do Afeganistão não poderão comparecer aos Jogos Paralímpicos, que se iniciam no dia 24 de agosto.

Sadiqi disse que deveria voar para o Japão nesta segunda-feira (16), e a equipe formada pela lutadora de taekwondo Zakia Khudadadi e pelo praticante de atletismo Hossain Rasouli deveria chegar no dia 17 de agosto. Os atletas estavam tentando conseguir voos, mas os preços dispararam enquanto o Taliban tomava uma série de cidades, e depois a viagem se tornou impossível

“Infelizmente, devido à comoção que ocorre no momento no Afeganistão, a equipe não conseguiu partir de Cabul a tempo”, declarou.

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Khudadadi seria a primeira mulher a representar o Afeganistão em uma Paralimpíada. A atleta foi destaque do site da Paralimpíada na semana passada falando de suas esperanças para os Jogos.

“Fiquei empolgada após receber a notícia de que recebi um convite para competir nos Jogos. Esta é a primeira vez que uma atleta feminina representará o Afeganistão nos Jogos, e estou muito feliz”, disse na ocasião a esportista de 23 anos, de Herat.

Mudanças para as mulheres

Entre as vários impactos das regras do Talibã, estão a perda de vários direitos sociais das mulheres. Em poucos dias, a mudança já é perceptível. De acordo com a BBC, os principais canais de televisão do Afeganistão continuam as transmissões sem apresentadoras mulheres, além de poucas críticas ao grupo extremista. Já a televisão estatal tem transmitido em sua maioria do tempo programas religiosos.

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As denúncias de restrição às liberdades das mulheres não são exceção, principalmente o fato de ter que usar a burca (traje que cobre completamente o corpo da mulher, com uma treliça estreita à altura dos olhos) e ser acompanhada por um homem. Nas ruas, vitrines com imagens de mulheres sem véu, maquiadas e com vestidos de festa seguen sendo arrancadas ou cobertas de tinta.


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