PANDEMIA

Vacina CoronaVac é eficaz contra a variante Delta? Qual risco da cepa para o Brasil? Médico explica


Confirmação de casos da variante Delta no Brasil tem preocupado

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 19/08/2021 às 11:47
Janaína Pepeu/Prefeitura de Caruaru
FOTO: Janaína Pepeu/Prefeitura de Caruaru
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O epidemiologista Márcio Bittencourt, em entrevista ao Passando a Limpo desta quinta-feira (19), falou sobre os riscos do avanço da variante Delta no Brasil e sobre a eficácia da vacina contra a covid-19 CoronaVac.

Eficácia da CoronaVac

Segundo o especialista, é preciso entender como as taxas de eficácia das vacinas são demonstradas. “A pergunta mais importante é com relação à eficácia clínica, que é a capacidade de reduzir morte, internação, caso grave e infecção, não taxa de anticorpos ou resposta de algum exame de sangue que mostra algum efeito da vacina”, explicou, acrescentando que as pessoas misturam uma coisa com a outra na hora de apresentar os resultados.

De acordo com o epidemiologista, isso não significa que a CoronaVac não funcione contra a variante Delta, mas faltam dados suficientes para responder ao questionamento. “Até onde eu tenha visto, não tem nenhum estudo robusto, que tenha respondido à pergunta da eficácia da CoronaVac especificamente para a variante Delta, com dados suficientes para gente dizer se é melhor ou pior do que o restante das respostas”, completou.

Variante Delta

A confirmação cada vez maior de novos casos de variantes Delta no Brasil tem preocupado as autoridades sanitárias. O epidemiologista informa que, no Brasil, ela ainda não é dominante.

“Nas regiões onde a Delta é mais predominante, como está acontecendo nos Estados Unidos e aconteceu na Inglaterra, praticamente as outras cepas desaparecem. A dominante acaba ocupando todo o espaço. Mas aqui no Brasil a gente ainda tem muito das outras cepas, apesar da Delta estar aumentando, os números que a gente tem ainda não mostram a Delta como dominante no Brasil”, disse, acrescentando que é importante testar a população para identificar a cepa.

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O especialista alerta que não dá pra confiar na sorte e pensar que aconteceu em outros países, com aumento de internações e óbitos por covid-19 devido à presença da variante, não possa ocorrer no Brasil.

“Achar que isso não vai acontecer em algumas regiões do Brasil é confiar demais na sorte. Eu não estou dizendo que vai piorar porque eu não tenho certeza. A incerteza é muito grande. Quando a incerteza é grande, a única conduta razoável é se preparar para o pior e tendo planejamento para se as coisas forem melhores também. Essa euforia de que já passou tudo e vamos planejar o carnaval do ano que vem é muito precoce. Pode até ser que a gente caminhe muito bem, mas a gente tem que estar preparado e ter plano quando a gente precisar dar um passo para trás caso isso seja necessário”, destacou o médico.

Terceira dose da vacina

Nesta quarta-feira (18), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou à imprensa que a aplicação da terceira dose de vacinas contra a covid-19 deverá começar por idosos e profissionais de saúde.

Para Márcio Bittencourt, ainda é precipitado falar em dose de reforço no momento atual. “Não acho que a gente tem dado suficiente para justificar o uso da terceira dose de forma ampla e indiscriminada. Não tem praticamente nenhum estudo publicado com terceira dose e o pouco que tem é com resposta de nível de anticorpos (...) Acho que a gente ainda não tá pronto para começar fazer terceira dose em todo mundo e achar que isso vai proteger mais e que vai acrescentar alguma resposta mais importante”, afirmou o especialista.

Segundo o epidemiologista, é provável que no decorrer dos estudos sejam encontradas evidências de que aplicar uma terceira dose funcione mais para algumas pessoas.


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