INVESTIGAÇÃO

Cantor Sérgio Reis é alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal


Sérgio Reis virou alvo de críticas nos últimos dias após ter um áudio vazado, em que sugeriu invadir o prédio do STF

Atualizada às 11h49
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Publicado em 20/08/2021 às 7:35
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A Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão, nesta sexta-feira (20), contra o cantor Sérgio Reis e deputado Otoni de Paula (PSC-RJ). A todo, 29 mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes.

A ação da PF ocorre em seis estados – Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Ceará e Paraná – e no Distrito Federal. Segundo a PF, o objetivo é apurar “o eventual cometimento do crime de incitar a população, através das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores contra a democracia, o Estado de Direito e suas instituições, bem como contra os membros dos Poderes”.

Um dos locais de busca da PF na manhã de hoje é o gabinete do deputado Otoni de Paula, em Brasília.

Inquérito

O ministro Alexandre de Moraes determinou a instauração de inquérito solicitada pela Procuradoria-Geral da República, para investigar Otoni de Paula, Sérgio Reis e outras oito pessoas.

Além da abertura de inquérito, o ministro determinou oitivas dos investigados logo após a realização da busca e apreensão.

Também foi definida restrição dos investigados de aproximação de 1 km de raio da praça dos três Poderes, dos ministros do STF e dos senadores. “A presente restrição somente não se aplicará ao deputado federal Otoni Moura de Paulo Júnior, em razão da necessidade do exercício de suas atividades parlamentares”, diz a decisão.

Áudio de cantor vazado

Após ter um áudio vazado, em que sugeriu invadir o prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) para dar um "ultimato" no presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), Sérgio Reis chorou ao falar sobre o caso. O artista afirmou que sua intenção era falar que o afastamento de ministros do STF fossem estudados pelo Senado.

> Sérgio Reis estaria deprimido após repercussão do áudio contra STF

"Não pedi para que acabasse com nada. Eu pedi que fizessem... que esses impeachments fossem estudados. Vamos fazer. Se o povo não for para as ruas no dia 7 de Setembro, Brasília não vai fechar. Então não vai adiantar nada. O Exército não pode fazer nada, o presidente não pode fazer nada e nós não podemos fazer nada. Estamos fazendo a nossa parte", declarou o cantor Sérgio Reis.

Nesta semana, após vir a público um vídeo em que convocava caminhoneiros para um protesto no dia 7 de setembro contra o STF, Sérgio Reis passou a ser investigado em um inquérito aberto pela Polícia Civil do Distrito Federal. O artista também é alvo de uma representação assinada por 29 subprocuradores gerais da República.

Durante a semana, o cantor disse que estava arrependido, mas que não tem medo de ser preso. “Se não fizer uma paralisação, não muda este país. Não sou frouxo. Não sou mulher. Cadeia é para homem. Eu não saí daqui de casa. Estou aqui em casa quietinho. Se a [Polícia] Federal vier me buscar, eu vou. Não matei ninguém. Não prejudiquei ninguém. Nunca falei mal de nenhum ministro”, afirmou.

Deputado Otoni

Deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ)
Deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ)
Divulgação/ Câmara dos Deputados

O deputado federal Otoni de Paula foi denunciado pela PGR ao STF em julho de 2020 pelos supostos crimes de difamação, injúria e coação em vídeos com ataques e ofensas contra o ministro Alexandre de Moraes. No mês seguinte, a Justiça de São Paulo determinou a exclusão das postagens.

Em vídeo em que aparece criticando o ministro do STF pela decisão que libertou o blogueiro Oswaldo Eustáquio, mas o proibiu de usar as redes sociais. Na postagem, ele chama Moraes de “lixo”, “tirano” e “canalha”, entre outras ofensas. Após os ataques, Otoni pediu desculpas e disse que “extrapolou”.

Diante da operação, o deputado divulgou um vídeo pelo Facebook no qual defende o direito de expressar seus pensamentos. “Não vou recuar um milímetro dentro do que a democracia me permite, dentro do que a Constituição me permite. Esse deputado federal aqui, esse cidadão brasileiro aqui investido da autoridade parlamentar não vai recuar um milímetro. Se alguém pensa que vou deixar de falar o que penso, se alguém pensa que vou deixar de ter a mesma postura que tenho, eu não vou deixar de ter. Alguém poderá dizer, você acha que pode ser preso? Não! Eu não fiz nada para ser preso. Claro que estamos vivendo em um estado exceção no Brasil”, afirmou.


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