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Carta emitida por Bolsonaro em que recua de ataques ao STF teria sido redigida por Michel Temer; leia a íntegra da nota


A carta aberta intitulada "Declaração à Nação" foi emitida por Bolsonaro após encontro com o ex-presidente Michel Temer

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 09/09/2021 às 18:21
Wilson Dias/ Agência Brasil
FOTO: Wilson Dias/ Agência Brasil
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A carta aberta intitulada "Declaração à Nação" na qual o presidente Jair Bolsonaro recua dos ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) proferidos no 7 de Setembro teria sido redigida pelo ex-presidente Michel Temer. A informação foi revelada pela emissora CNN. A nota foi divulgada no final da tarde desta quinta-feira (9).

Nesta quinta, Temer e Bolsonaro se reuniram em Brasília. No encontro, eles ainda discutiram a paralisação dos caminhoneiros. Em 2018, quando o ex-presidente ainda estava no poder, uma greve da categoria paralisou o país.

> ''Nunca tive intenção de agredir quaisquer dos Poderes'', diz Jair Bolsonaro em carta que teria sido aconselhada por Michel Temer

Segundo a CNN, o ex-presidente disse estava ajudando a pacificar o país. "Até pelo tom da nota ela é de harmonia entre os Poderes. Não fiz mais do que venho fazendo em toda a minha vida pública", disse Temer.

Os ataques

Na terça-feira (7), em Brasília, Jair Bolsonaro dirigiu seus ataques ao presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, e à própria Corte.

À tarde, quando participava do ato na Avenida Paulista, em São Paulo, Bolsonaro pregou desobediência ao ministro Alexandre de Moraes, principal alvo dos manifestantes ali presentes, e o xingou de "canalha".

Alexandre Moraes é desafeto de Bolsonaro desde o início de 2019, quando foi nomeado relator do inquérito que investiga ataques e disseminação de fake news contra o STF e seus ministros.

Veja a nota completa

Declaração à Nação

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.

2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de "esticar a corda", a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.

4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.

5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.

6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.

7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.

8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.

9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.

10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA


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