Caso Miguel

Caso Miguel: Quais os próximos passos do processo após audiência com Sarí Corte Real

Sari Corte Real é processada por abandono de incapaz, por ter deixado o menino Miguel dentro de elevador sozinho. Menino de 5 anos caiu do nono andar do prédio

Gabriel dos Santos Araujo Dias
Gabriel dos Santos Araujo Dias
Publicado em 15/09/2021 às 10:29
Reprodução/ Redes Sociais
FOTO: Reprodução/ Redes Sociais
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Um ano e três meses após a morte de Miguel Otávio, de apenas cinco anos, a ex-patroa da mãe do menino, Sarí Corte Real, foi ouvida na manhã desta quarta-feira (15) pela Justiça, em audiência de instrução. A mulher é processada após ter deixado a criança sozinha dentro do elevador do condomínio de luxo onde ela mora e onde a mãe de Miguel trabalhava como empregada doméstica, no centro do Recife. Ao sair do elevador, o menino escalou uma estrutura do condomínio e caiu do nono andar do prédio.

Miguel Otávio com a mãe, Mirtes Renata, e a avó, Marta Santana
Miguel Otávio com a mãe, Mirtes Renata, e a avó, Marta Santana
Acervo Pessoal / Divulgação

Após longo debate entre juristas sobre a qual crime Sari deveria responder, a Polícia Civil de Pernambuco decidiu indiciar a mulher por abandono de incapaz com resultado morte. A denúncia foi aceita pelo Ministério Público de Pernambuco que, agora, é o responsável por pedir a condenação da mulher, que, na época da morte de Miguel, era primeira-dama do município de Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco.

Além do crime de abandono de incapaz, a denúncia também apresenta dois agravantes: o fato de a vítima ser uma criança e de que o crime aconteceu "em ocasião de calamidade pública", por causa da pandemia do novo coronavírus.

"Finalizando as testemunhas de acusação, Sarí deve ser interrogada. Ela vai narrar como tudo aconteceu no dia e aguardar o processo, que deve voltar para o Ministério Público, dar delegações finais, para depois voltar para a gente dar nossas delegações finais. Só então haverá o julgamento", disse ao JC o advogado de Sari, Pedro Avelino. A decisão será tomada exclusivamente por um juiz. Portanto, o caso não vai para júri popular.

Sari Corte Real foi ouvido nesta segunda-feira
Sari Corte Real.
Yaci Ribeiro/ JC Imagem

Pena

Sari nunca foi efetivamente presa. No dia da morte de Miguel, Sari foi levada à delegacia, mas pagou uma fiança no valor de R$ 20 mil para responder o processo em liberdade. Se condenada pelo crime de abandono de incapaz com resultado morte, Sari pode ser condenada a um período de reclusão que varia entre 4 e 12 anos. Entenda aqui a diferença entre homicídio culposo e abandono de incapaz com resultado morte.

Relembre o caso Miguel

A morte de Miguel aconteceu no dia 2 de junho. Miguel havia ido passar o dia no trabalho da mãe, Mirtes Renata. No momento em que tudo aconteceu, Mirtes havia deixado Miguel sobre os cuidados de Sari para poder levar o cachorro da patroa para passear. Enquanto a mãe estava fora do prédio, Miguel saiu do apartamento. Imagens do circuito interno de câmeras mostram quando Miguel corre para dentro do elevador.

Ao invés de retirar o menino do equipamento, Sari, no entanto, apertou um botão do painel de controle e saiu. As portas se fecharam e Miguel ficou sozinho. Em seguida, Miguel sai no nono andar. As investigações apontaram que o menino saiu do elevador, caminhou alguns metros, escalou uma estrutura, mas se desequilibrou e caiu. Miguel caiu de uma altura de 35 metros.

Processo

Ao longo do processo, foram ouvidas oito testemunhas arroladas pelo Ministério Público e outras seis pessoas a pedido da defesa de Sari Corte Real.

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