AUDIÊNCIA

Mãe do menino Miguel conta como foi audiência: 'Foi difícil ouvir mentiras'

A ex-patroa da mãe do menino Miguel, Sarí Corte Real, foi ouvida pela primeira vez pela Justiça, em audiência de instrução, nesta quarta (15)

Suzyanne Freitas
Suzyanne Freitas
Publicado em 15/09/2021 às 15:10
Reprodução/TV Jornal
FOTO: Reprodução/TV Jornal
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Mirtes Renata, a mãe do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, que morreu após cair do nono andar de um prédio de luxo, na Área Central do Recife, contou, na tarde desta quarta-feira (15), durante coletiva de imprensa no Gabinete Assessoria Jurídica Organizações Populares (GAJOP) localizado no bairro da Boa Vista, como foi a audiência de instrução com Sarí Corte Real. De acordo com Mirtes, foi muito difícil esse momento pois teve que relembrar o dia 2 de junho de 2020. "É bastante doloroso ter que relembrar tudo aquilo que aconteceu no dia 2 de junho, tanto da minha parte, principalmente da minha parte, que vi, aquelas narrativas de Sarí e, ainda mais, aquelas narrativas omitindo vários pontos, sabe?! Pelas imagens está bem claro o crime que ela cometeu, mas todo esse processo está sendo bem doloroso para mim, mas estou de pé, de cabeça erguida e estou seguindo. Eu vou assim até o fim", expressou.

Mirtes acompanhou de perto toda a audiência, instrução e julgamento. "Teve certas falas ali que foram, para mim, relutantes, porque tinha muita mentira. Foi difícil ter que ouvir aquelas mentiras caladas. A questão de tratamento com meu filho, da minha criação com meu filho, fatos que ocorreram que a testemunha não estava presente e, assim mesmo, ela se contradiz dizendo que viu e depois dizendo que não viu. Ela está em dúvida. Coisas que estão claras que são mentiras. No momento em que meus advogados eram para fazer perguntas à ela, para justamente rebater alguns pontos, foram negados. Foi isso o que aconteceu", relatou.

A ex-patroa da mãe do menino Miguel, Sarí Corte Real, foi ouvida pela primeira vez pela Justiça, em audiência de instrução, nesta quarta. A mulher é processada após ter deixado a criança sozinha dentro do elevador do condomínio de luxo onde ela mora e onde a mãe de Miguel trabalhava como empregada doméstica, no centro do Recife. No total, desde o início da fase do processo, foram ouvidas oito testemunhas listadas pelo Ministério Público de Pernambuco, de forma presencial, no dia 3 de dezembro de 2020, e também seis testemunhas de defesa, sendo três de forma presencial, no dia 3 de dezembro de 2020, outra por carta precatória (forma de comunicação entre juízos, que estão em estados diferentes, com objetivo de cumprir algum ato processual) na comarca de Tracunhaém, no dia 2 de março deste ano, e as duas últimas nesta quarta.

Alegações finais

Agora, com a instrução encerrada, o Ministério Público de Pernambuco, o assistente de acusação e a defesa apresentarão as alegações finais, e por fim será proferida a sentença do juiz.

Relembre o caso

No dia 2 de junho de 2020, em pleno pico da pandemia do novo coronavírus em todo o mundo, Mirtes Renata trabalhava como empregada doméstica num apartamento no condomínio conhecido como Torres Gêmeas, no Bairro do Recife, onde viviam Sari Corte Real, o esposo Sérgio Hacker, ex-prefeito de Tamandaré e os dois filhos do casal. Naquele dia, ela levou o filho de cinco anos para seu local de trabalho, porque não tinha com quem deixá-lo. Depois do almoço, por volta das 13h, Mirtes desceu para passear com o cão dos patrões e deixou o filho no apartamento, sob os cuidados da dona da casa. De acordo com o inquérito policial, o menino quis descer para ir ao encontro da mãe e foi deixado por Sari sozinho dentro do elevador do edifício, desembarcou no nono andar, acessou uma área onde são instalados os condensadores de ar condicionado do condomínio e acabou caindo de uma altura de cerca de 35 metros. O menino não resistiu e morreu. Ainda de acordo com Mirtes Renata, a ex-patroa alega que só deixou a criança sozinha no elevador porque não conseguiu contê-lo. "Querem 'adultizar' meu filho e infantilizar Sari. Ela alega que não teve pulso para conseguir segurar Miguel e impedido ele de entrar no elevador. Me machuca muito querer colocar a culpa no meu filho, uma criança de 5 anos de idade. Essa estratégia de defesa é muito baixa", lamentou Mirtes.

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