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Brasil tem tecnologia para identificar tsunami? Daria tempo de pessoas buscarem abrigo? Veja o que diz especialista

Vulcão que ameaça entrar em erupção e causar tsunami com poder de atingir o Brasil virou assunto nesta quinta-feira (16)

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 16/09/2021 às 18:51
Arnaldo Carvalho/ JC Imagem
FOTO: Arnaldo Carvalho/ JC Imagem
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O geógrafo e professor doutor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Lucivânio Jatobá, conversou com o Balanço de Notícias, nesta quinta-feira (16), sobre o risco de um vulcão na Espanha entrar em erupção e causar uma tsunami capaz de atingir o Brasil.

Qual o risco que o vulcão representa?

O vulcão se chama Cumbre Vieja fica localizado na ilha de La Palma na costa da região norte do continente africano, bem próximo ao Marrocos.

O professor explica a situação atual do vulcão. “Esse vulcão tem uma particularidade. Um tempo atrás houve um grande abalo sísmico, uma grande erupção, e uma parte desse vulcão sofreu um talhamento. Tem um bloco imenso com 24 km de largura e de cumprimento e aproximadamente 3 mil metros de espessura. Esse bloco está na parte sul do vulcão numa situação de equilíbrio instável e precisa de algo para que ele se movimente. Se ocorrer uma erupção vulcânica de grande porte, acompanhada de sismos também de magnitude elevada corre-se o risco de que esse bloco deslize e mergulhe no Oceano Atlântico. Com esse mergulho, vai se formar, obviamente, uma onda. É como se eu pegasse um fragmento de rocha e colocasse numa piscina, ondas vão ser formadas”, contou.

Segundo o professor, ele tem acompanhado a situação do vulcão desde o dia 17 de agosto. "Começaram a ocorrer sismos. Já ocorreram 700 abalos sísmicos, mas com intensidade não tão preocupante”, disse, lembrando que, de fato, há o risco de o vulcão entrar em erupção, mas também “pode não acontecer absolutamente nada".

Há risco de uma tsunami atingir o Brasil?

Professor Lucivânio Jatobá explica o que é um tsunami. “O tsunami é uma onda de grande porte, com muita energia que avança do oceano para o continente e penetra com muita intensidade o estuário, sobre as áreas mais baixas causando inundações”, explicou, acrescentando que as consequências do fenômeno são terríveis.

Apesar da euforia nas redes sociais, o especialista tranquiliza a população. “A gente tem que tranquilizar a população porque não está em pauta que vai acontecer a qualquer instante esse tsunami aqui", comentou o geógrafo, acrescentando que o vulcão encontra-se no nível amarelo, o segundo ponto numa escala que vai até quatro, se o nível vermelho o mais preocupante e que força a retirada de pessoas de áreas de risco.

Brasil conseguiria identificar fenômeno antes dele atingir a costa?

De acordo com o professor, diferentemente do início do século 20, hoje em dia o Brasil tem um arsenal tecnológico para identificar um evento dessa magnitude. “Haveria um tempo para avisar as pessoas para ficar nos lugares mais altos, evitar ficar na beira do mar, na praia, ao longo de um estuário porque dependendo da magnitude do tsunami a destruição é muito grande. Mas, repito: não está em pauta, agora, o acontecimento de um desastre natural como esse, mas a atenção permanece", finalizou.

Ouça a entrevista completa:

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