Erupção continua

Vulcão Cumbre Vieja: erupção fica mais 'agressiva' e cinzas já chegam a Cuba, na América Central, trazendo riscos à população

Cinzas de vulcão espanhol Cumbre Vieja chegam a Cuba, na América Central

Karina Costa Albuquerque
Karina Costa Albuquerque
Publicado em 05/10/2021 às 9:39
REUTERS/ Nacho Doce/ Direitos Reservados
FOTO: REUTERS/ Nacho Doce/ Direitos Reservados
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Autoridades de Cuba alertaram para um aumento da concentração de partículas suspensas e poeira misturada com dióxido de enxofre procedentes do deserto do Saara e da erupção do vulcão Cumbre Vieja, na ilha espanhola de La Palma. O alerta foi realizado nessa segunda-feira (4) e os dois pontos ficam a mais de 6.000 quilômetros de distância, segundo a Veja.

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Erupção mais 'agressiva'

No domingo (3) data em que completou 15 dias em erupção, o vulcão registrou duas novas fissuras, se tornando “mais agressivo”. Com o aumento da atividade, parte da estrutura do cone foi derrubada, segundo o Instituto Vulcanológico das Ilhas Canárias (Involcan), que já havia alertado que a erupção pode durar de 24 a 84 dias, levando em conta dados históricos da região e a média de duração do fenômeno, de 55 dias.

A superfície afetada pela lava já é de 399 hectares e, até o momento, foram afetadas 1.074 construções. Dessas, 946 foram totalmente destruídas.

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Nuvem chega a Cuba

Atravessando o Atlântico Norte, a mais de 6.000 quilômetros de distância, modelos criados pelo Centro Meteorológico Provincial de Camaguey, em Cuba, apontam que uma nuvem com dióxido de enxofre chegaria à ilha nesta segunda-feira, se espalhando por todo o território cubano, já a partir desta terça-feira (5).

Cinzas do vulcão já haviam sido detectadas em Porto Rico e parte da região do Caribe, no domingo, causando a deterioração da qualidade do ar.

Volume

O volume do rio de lava do vulcão Cumbre Vieja aumentou, depois que uma parte da cratera desabou, nessa segunda-feira (4). As autoridades verificaram que o fluxo se tornou maior e mais intenso depois que o lado norte da cratera desabou durante o domingo (3) causando explosões. Autoridades dizem, no entanto, que não há risco para os moradores da área. Em duas semanas, a atividade do vulcão tirou de casa 6 mil pessoas e destruiu mais de 1 mil construções.

Recomendações

Especialistas do Ministério de Saúde Pública cubano recomendaram que moradores evitem exercícios ao air livre e protejam as vias aéreas, principalmente usando máscaras. De acordo com o ministério, as nuvens são carregadas de materiais prejudicais à saúde, sobretudo para pessoas com problemas respiratórios e alergias.

Caminho para o mar

Com temperatura de mais de 1.000°C, a lava, entretanto, segue previsões e flui para o oceano em uma corrente contínua, descendo em cascata e criando um delta com uma frente larga, que já atingiu uma profundidade de 24 metros no mar, de acordo com o Instituto Geográfico Nacional da Espanha.

Sem grandes riscos

Apesar do aumento da atividade, a lava parecia estar seguindo uma trajetória semelhante aos fluxos anteriores e seguindo por áreas que, até agora, foram poupadas, disse o presidente regional das Ilhas Canárias, Angel Victor Torres. “Tivemos que ordenar alguns bloqueios por causa da qualidade do ar, mas não planejamos evacuar mais pessoas”, disse ele em entrevista ao canal de TV TVE na manhã desta segunda.

Torres disse que o vulcão já emitiu cerca de três vezes mais o material expelido durante a última grande erupção da ilha em 1971, em um quarto do tempo.

Em entrevista a uma emissora de rádio local, ele afirmou esperar que o fluxo de lava deixe de se expandir, dado o efeito devastador que teve sobre as casas e fazendas, após a abertura de um canal que o direciona para o mar, onde continua a fluir “normalmente”.

Desde que a lava chegou ao mar, o fluxo principal mostrou “alguma estabilidade”, com “transbordamentos em alguns pontos” e “um ramo que se separou do eixo principal”, mas a tendência é a canalização do magma, segundo o Plano de Emergência Vulcânica das Ilhas Canárias (Pevolca).

Ajuda à população

Ele acrescentou que o governo planeja comprar cerca de 300 casas para acomodar aqueles que perderam suas moradias Torres afirmou que é muito cedo para estimar quão grande será o dano total em função das erupções.

“Ainda estamos no meio disso. Se a lava continuar brotando nas mesmas quantidades que vimos na noite passada, o dano será maior”, disse Torres. Aproximadamente mil edifícios foram destruídos desde que a erupção começou em 19 de setembro – 6 mil pessoas foram evacuadas, principalmente das cidades de El Paso e Los Llanos de Aridane, dois dos principais centros populacionais da ilha de 83 mil habitantes.

Ao visitar a ilha, no fim de semana, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchez, prometeu recursos financeiros para ajudar na reconstrução e insistiu que La Palma é segura para o turismo.

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