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Caminhoneiros hoje, 22 de outubro de 2021: auxílio de Bolsonaro, possibilidade de greve e paralisações; veja últimas notícias

Caminhoneiros estão em atrito com o governo, com uma série de pedidos e uma ameaça de greve. Bolsonaro divulgou auxílio para a categoria

Karina Costa Albuquerque
Karina Costa Albuquerque
Publicado em 22/10/2021 às 10:32
Thomaz Silva/Agência Brasil
FOTO: Thomaz Silva/Agência Brasil
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A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) criticou, por meio de nota, o anúncio de ajuda do governo federal para compensar o aumento do preço do diesel. Para eles, o valor não corresponde com as despesas mensais do setor. "Os caminhoneiros autônomos brasileiros não querem esmolas. Auxílio no valor de R$ 400 não supre em nada as necessidades e demandas da categoria", diz o texto.

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Auxílio

O benefício foi anunciado nessa quinta-feira (21) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que confirmou o crédito para cerca de 750 mil caminhoneiros. "Uma proposta não resolve nada e é mais um 'balão apagado' para a categoria colecionar de promessas do governo que ajudou a eleger", rebate o texto da associação.

De acordo com os cálculos feitos pela entidade, o valor corresponde a apenas 3,15% das despesas mensais de combustível considerando, como exemplo, um trecho semanal trivial entre Catalão (GO) - Anápolis (GO) - Araguari (MG) e rendimento médio de um quilômetro por litro de diesel.

"Queremos estabilidade dos preços dos combustíveis, um fundo de colchão para amenizar volatilidade, mudança na política de preços da Petrobras, aposentadoria especial a partir dos vinte e cinco anos de contribuição e, acima de tudo, queremos respeito e cumprimento da Lei do Piso Mínimo de Frete", comunica o texto.

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Paralisação

A Abrava reforçou a paralisação do setor, que está programada para o dia 1º de novembro. A greve segue mantida, segundo a categoria. Nos bastidores do governo federal, por outro lado, as promessas de greve são vistas como ameaças que não serão cumpridas. Ou seja, acreditam que as paralisações não contarão com forte adesão da classe.

Por nota, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), a Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNRTC) e a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Autônomos (Abrava) disseram que "é necessário mudar urgente esse cenário, porque o povo brasileiro não suporta mais essa cadeia consecutiva de aumentos nos combustíveis e gás de cozinha".

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Alta dos combustíveis

O preço do combustível subiu 37,25% em agosto na comparação com o mesmo período do ano passado.

Entre as exigências dos caminhoneiros está uma revisão por parte do governo federal na política de preços praticada pela Petrobras. Outra demanda é a atualização da tabela de Piso Mínimo de Frete, bem como a contratação de um instituto, pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para realizar estudos e cálculos para reajuste.

Bloqueios de tanqueiros

Nessa quinta (21), caminhoneiros que transportam combustíveis pararam em pelo menos dois estados. Em protestos pelo preço do diesel e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), os serviços foram suspensos no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

Na região de Campos Elíseos, no município de Duque de Caxias (RJ), os motoristas bloquearam o acesso de outros caminhões a bases de abastecimento. Já em Minas, todos os tanqueiros suspenderam as atividades e alguns deles ficaram concentrados na região da Refinaria Gabriel Passos, em Betim.

Filas em postos em Minas Gerais

O Sindicato do Comércio Varejusta de Derivados de Petróleo de Minas Gerais (Minaspetro) divulgou nota, na noite de ontem (21), solicitando aos motoristas mineiros que não corram aos postos de gasolina para encher o tanque, para evitar desabastecimento do produto no estado, depois que os tanqueiros entraram em greve.

O pedido não foi atendido e as filas são grandes nos postos de combustíveis na capital mineira. Os tanqueiros interromperam as atividades na madrugada dessa quinta-feira (21), por causa dos altos custos dos combustíveis praticados pela Petrobras e o ICMS do diesel em Minas Gerais.

De acordo com o Minaspetro, todas as regiões do Estado já estão sendo prejudicadas, uma vez que a base em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, - onde a greve começou - "é estratégica para a distribuição de combustíveis estadual." Não há ainda detalhes sobre percentual de desabastecimento de postos.

O governo do Estado ainda não informou se vai receber a categoria, nesta sexta-feira (22). Ontem, o governador Romeu Zema participou de reunião virtual com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e outros governadores, para tratar do projeto de lei que altera a regra sobre o ICMS sobre combustíveis. O governador afirmou que o monopólio da Petrobras é um dos entraves à redução dos preços dos combustíveis. "Esse é um ponto importante. No Brasil, o diesel, a gasolina e o gás de cozinha têm um único fornecedor, que é a Petrobras. E sabemos que monopólio é sempre ruim. Precisamos de concorrência para que tenhamos um mercado mais competitivo." O governador também destacou a necessidade urgente de avançar com a reforma tributária.

Vai faltar gasolina?

Após a Petrobras informar que recebeu para o mês de novembro pedidos de fornecimento de diesel e gasolina muito acima dos meses anteriores e de sua capacidade de produção e dizer que o setor comercial da estatal está em "uma série de cortes unilaterais" nos pedidos feitos para compra de gasolina e óleo diesel, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) descartou, por enquanto, a possibilidade de desabastecimento de combustíveis sobre as últimas notícias da greve dos caminhoneiros hoje 2021.

Vale lembrar que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, prometeu atenção com o projeto de lei que altera o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados. Segundo o projeto de lei, o imposto agora terá um valor fixo, que não deve variar de acordo com o preço dos combustíveis ou do câmbio. Atualmente, o ICMS é calculado considerando a média dos preços dos últimos 15 dias, e agora passará a ter como base os 24 meses anteriores. Clique aqui e saiba se os preços vão baixar.

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