Pandemia do novo coronavírus

Bolsonaro contra a vacina: Além de fala sobre AIDS, veja outras mentiras contadas pelo presidente e conheça verdades sobre imunização

Negacionista, presidente Jair Bolsonaro já constrangeu especialistas em saúde diversas vezes com informações erradas sobre vacinação contra a covid-19

Gabriel dos Santos Araujo Dias
Gabriel dos Santos Araujo Dias
Publicado em 26/10/2021 às 9:39
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Ao relacionar - de forma enganosa - as vacinas contra a covid-19 com um suposto e inventado aumento nos diagnósticos de AIDS no Reino Unido, o presidente Jair Bolsonaro, mais uma vez, coloca dúvidas na população sobre o processo de imunização que, segundo os médicos, é o único meio de superação da pandemia. Felizmente, pouco após a fake news divulgada por Bolsonaro, especialistas em saúde desmentiram a informação, e até o governo do Reino Unido se pronunciou para dizer que, na verdade, o relatório citado pelo presidente do Brasil não passa de uma mentira criada por um site especializado em teorias conspiratórias.

Contraditoriamente ao cargo ocupado, essa não foi a primeira vez que Bolsonaro mentiu sobre a vacinação. Em pouco mais de 1 ano e 6 meses desde o início da crise sanitária no país, o presidente já desacreditou a importância das vacinas e difundiu diversas informações que não condizem com a realidade. Ao contrário disso, quem realmente estudou seriamente o assunto diz que os imunizantes usados no Brasil são seguros e eficazes.

Mentira de Bolsonaro: "Virar jacaré"

Em dezembro de 2020, enquanto o mundo corria para comprar vacinas, Bolsonaro estava bastante resistente aos contratos. Em entrevista coletiva, quando questionado sobre a demora para firmar acordo com a Pfizer, o presidente sugeriu que as vacinas poderiam fazer as pessoas virarem jacaré. “Lá no contrato da Pfizer, está bem claro nós (a Pfizer) não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema seu”, disse Bolsonaro.

“Se você virar Super-Homem, se nascer barba em alguma mulher aí, ou algum homem começar a falar fino, eles (Pfizer) não têm nada a ver isso. E, o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas”, acrescentou o presidente.

A Verdade

A preocupação do presidente Bolsonaro seria compreensível, não fosse o estágio avançado de pesquisas que comprovavam a eficácia e segurança, já naquela época, do imunizante desenvolvido em parceira pelo laboratório americano Pfizer com o alemão BioNTech. Naquele momento, a vacina já havia tido a terceira fase de testes realizada no Brasil. Além disso, vários países - como Estados, Reino Unido e México - ou já haviam começado as campanhas de imunização contra a covid usando a vacina da Pfizer ou estavam bem perto disso. Especialistas no assunto já defendiam também que o imunizante era seguro e não colocava a população em risco.

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Recentemente, pesquisa publicada na revista científica The Lancet em outubro provou que as duas doses da Pfizer mantém em 90% o nível de eficácia para casos de internação, mesmo após seis meses da segunda aplicação.

Mentira de Bolsonaro: "Morte, invalidez, anomalia"

Em novembro de 2020, sem apresentar provas, Bolsonaro disse que a CoronaVac provocava "morte, invalidez, anomalia". "Morte, invalidez, anomalia... Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la", escreveu Bolsonaro nas redes sociais sobre o imunizante produzido pelo Instituto Butantan, de São Paulo, em parceria com a chinesa Sinovac.

A Verdade

Bolsonaro deu a mentirosa declaração apenas um dia após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinar uma suspensão temporária dos testes da CoronaVac, ao observar um evento adverso grave envolvendo um voluntário. No entanto, nunca se provou que o problema do voluntário esteve ligado com a vacina contra a covid-19.

Pelo contrário, pouco depois, as pesquisas foram retomadas e a própria Anvisa liberou o uso do imunizante para ser usado no país em janeiro de 2021. Em maio passado, o governo da Indonésia anunciou que uma pesquisa provou que o imunizante reduziu em 98% o risco de mortes e em 96% o de hospitalizações.

Mentira de Bolsonaro: "AIDS"

Na quinta-feira da semana passada causou perplexidade a fala de Bolsonaro dizendo que um relatório do Reino Unido demonstrava que vacinados contra a covid-19 estavam sendo diagnosticados com AIDS.

A Verdade

Procurado pelo portal G1, o Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido negou a existência do relatório lido pelo presidente do Brasil e disse que a mentira foi publicada em um site especializado em produção de fake news e teorias conspiratórias. Oficial de comunicações da Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido, Zahraa Vindhani disse que "as vacinas contra a Covid-19 não causam Aids" e reforçou aquilo que já se sabe desde os anos 1980: "A Aids é causada pelo HIV."

Em nota, o Comitê de HIV/aids da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) disse que "não se conhece nenhuma relação entre qualquer vacina contra a COVID-19 e o desenvolvimento de síndrome da imunodeficiência adquirida". O comunicado foi endossado pela Associação Médica Brasileira (AMB). "Repudiamos toda e qualquer notícia falsa que circule e faça menção a esta associação inexistente", completa.

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