Educação

Durante pandemia de Covid-19, Brasil foi o país que mais fechou escolas; crianças de baixa renda foram as mais impactadas

De acordo com dados da Organização Para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE), outros países passaram 68 dias sem aulas.

Com informações de Cinthia Ferreira
Com informações de Cinthia Ferreira
Publicado em 28/10/2021 às 15:25
Reprodução/TV Jornal
FOTO: Reprodução/TV Jornal
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O fechamento das escolas durante o momento mais crítico da pandemia comprometeu bastante a educação básica de milhares de estudante. Muitas crianças e adolescentes abandonaram a escola. Outras apresentaram dificuldades para desenvolver atividades simples como ler e escrever. No terceiro episódio da série de reportagem da TV Jornal Educação pós pandemia, desafios e soluções. Veja o vídeo:

É em uma sala de aula improvisada que a dona de casa Maria da Silva Santos tenta suprir as lacunas no aprendizado dos dois filhos. Anielly, de 5 anos, ainda não entrou no processo de alfabetização, mas a mãe se antecipou depois que percebeu que as aulas remotas não estavam sendo suficientes para garantir o aprendizado do filho mais velho, Alisson, de 8 anos. Esse sim em processo de alfabetização.

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"Já era pra ele estar mais avançado, na leitura, na escrita. Agora que ele está começando a escrever com a letra normal. Antes ele só escrevia com letra de forma. Nada igual do que a escola, né? escola é primordial", comentou a mãe.

Brasil: o mais que mais fechou escolas na pandemia

De acordo com um relatório da Organização Para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE), que comparou 38 países, o Brasil foi o país que mais manteve escolas fechadas em 2020. Foram 178 dias sem aulas presenciais contra a média de 68 dos países pesquisados.

Por causa desse fechamento, a distância entre o professor e o aluno aumentou, principalmente, durante o processo de alfabetização - fase mais importante da vida escolar - e isso trouxe prejuízos no aprendizado para especialistas, que preocupados com as consequências desse atraso, a desigualdade educacional ficou muito evidente.

"Principalmente as crianças mais novas, durante a pandemia vão ter um hiato educacional que precisa ser preenchido . A gente vai criar uma espécie de geração Covid. Se nada for feito, vão ter essas marcas e cicatrizes no seu ensino", comenta Marcelo Neri, diretor do Fundação Getúlio Vargas Social.

Atraso na aprendizagem

Um levantamento do Fundação Getúlio Vargas Social (FGV) mostra que o tempo médio de aulas online oferecidas durante o primeiro ano de pandemia foi de 2,37 horas aula por dia útil para alunos de 6 a 15 anos de idade. Quando o recorte é feito por renda, alunos de escolas privadas passaram mais tempo (3,33) em aulas remotas do que os estudantes de escolas públicas (2,03).

Um relatório lançado pelo banco mundial em março deste ano estima que a pandemia pode fazer com que 70% dos alunos brasileiros com idade para estar no 5º ano do ensino fundamental não consigam compreender textos simples.

Ivson tem 14 anos. Morador da comunidade do Bode, no Pina, Zona Sul do Recife, ele passou o ano de 2020 sem estudar. Sem celular ou computador, o menino, ao invés de estudar, teve que trabalhar para sustentar a casa.

Quando questionado se alguém da escola em que ele estudava foi até a residência dele levar atividades, ele responde que não. "Ninguém veio", relata o adolescente.

De acordo com a Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em 2020, 5,1 milhões de meninos e meninas de 6 a 17 anos, não tiveram acesso à educação no Brasil - cenário semelhante ao que o país tinha no início dos anos 2000. Desses, 41% eram crianças de 6 a 10 anos, em situação de exclusão escolar.

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Em meio a pandemia, estudantes abandonam escolas

Em Pernambuco, mais de 9 mil alunos alunos abandonaram a escola da rede estadual durante a pandemia. Dado que preocupa o secretário de educação do estado. "Essa evasão está em 4,6%. é uma taxa ainda muito elevada quando eu comparo com a média histórica por exemplo ano passado que era um e meio por cento. então, uma das consequências mais nefastas é o desestímulo dos estudantes. É importante a gente conscientizar todos estudantes que é preciso retornar sim às salas de aula", comenta Marcelo Barros.

Em Olinda, no bairro de Peixinhos a Escola Municipal CAIC Profª Norma Coelho iniciou esse recolhimento dos alunos. O projeto "Escola Resgata" trouxe de volta a sala de aula mais 80 estudantes que não estavam acompanhando as aulas remotas, nem tinham voltado para as aulas presenciais.

"O mapeamento de várias escolas aqui de Peixinhos através do Instagram para que eles repliquem a nossa chamada dessas crianças. Ações junto a rádio do bairro. Aqueles que não respondem nossos contatos, nós enviamos oficio ao Conselho Tutelar para que eles façam uma visita a essa criança", comenta o diretor de escola Francisco Oliveira.

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