Educação

Educação Pós-Pandemia: diferente do Brasil, veja métodos de educação adotados em outros países

Em Portugal, por exemplos, as aulas eram transmitidas na TV.

Caterine Costa de Oliveira
Caterine Costa de Oliveira
Publicado em 29/10/2021 às 15:30
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FOTO: Reprodução/TV Jornal
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Uma das consequências da pandemia, foi o fechamento de escolas em todo o mundo. No Brasil, os estudantes sofreram com a falta de aparelhos eletrônicos. Já em outros países, o acesso à tecnologia foi mais fácil. Os alunos puderam assistir aulas pela televisão. Este é o tema do quarto episódio da série de reportagem da TV Jornal 'Educação: Pós-pandemia, desafios e soluções'

Ensino no Reino Unido

Cada país lidou de forma diferente com os desafios da educação à distância impostos pela pandemia. No Reino Unido, aproximadamente 9% das crianças, algo em torno de 1 milhão e 800 mil estudantes, não tinham acesso a computadores ou tablets em casa, de acordo com dados do Department for Education.

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O recifense Luiz Felipe, de 47 anos, mora na cidade de Brighton, na Inglaterra, há 11 anos, onde trabalha como professor assistente. Segundo ele, apesar das dificuldades, estudantes e professores foram bem assistidos pelo governo. "A equipe foi preparada pra isso. A gente foi na escola ou a escola enviava para a gente o computador e, assim, o professor poderia trabalhar. Todos os professores ficavam conectados", contou.

As escolas do Reino Unido ficaram fechadas para os estudantes de uma maneira geral por cerca de 100 dias. O governo inglês também garantiu a entrega de 1 milhão e 300 mil computadores e tablets para os alunos que não tinham os equipamentos para acompanhar as aulas. Na escola onde Luiz trabalha, os estudantes também foram contemplados. "Acho que 20 crianças, em torno de 1.200 alunos, que precisavam dessa ajuda. Então o governo cedeu 20 laptops já com conexão de internet. Assim, quando acabou o primeiro lockdown, todos os computadores foram devolvidos e voltamos para a sala de aula", relatou o professor.

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Ensino em Portugal

Em Portugal, as escolas secundárias ficaram 92 dias fechadas. A grande aposta foi investir na transmissão de aulas pela televisão em rede nacional. Professor por formação, o presidente do país Marcelo Rebelo de Sousa parou um pouco as obrigações governamentais e arregaçou as mangas, dando aula para alunos do 1º ao 9º ano pela TV.

O jornalista Antônio Martins, que mora em Portugal com a família, tem um filho de 13 anos estudando em uma escola pública portuguesa. O adolescente foi um dos beneficiados pelo programa durante o lockdown. "Cada série era veiculada por horários. Então, 5ª série era na segunda-feira das 9h às 10h, por exemplo. Eles faziam com que todos tivessem acesso ao mínimo de conteúdo, mesmo quem não tinha acesso via televisão", relatou o jornalista.

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Consequências e soluções para o Brasil

A suspensão das aulas por causa da pandemia forçou instituições e órgãos educacionais do mundo todo a procurar experiências inovadoras para diminuir os impactos do aprendizado remoto. Voltando para o Brasil, as ações - ainda que descoordenadas pela falta de atuação do Ministério da Educação - proporcionaram uma oportunidade de implementar o uso de tecnologias e mudanças nas metodologias de ensino.

Pernambuco precisou aprender muito rápido. Na capital, além das aulas online e do material impresso, estúdios de gravação foram montados para levar conteúdo para a casa dos alunos através da televisão, ferramenta que vai ficar para além da pandemia.

"Toda essa estrutura de transmissão de aulas pela TV pela internet vai ser importante agora desse período de ensino ainda que nós ainda estamos na pandemia, mas no pós pandemia vai nos permitir fazer outras alternativas de fazer um trabalho de reforço escolar para estudantes”, explicou Fred Amâncio, secretário de educação do Recife.

Estudos do FGV EESP CLEAR indicam que alunos dos anos finais do ensino fundamental do 6º ao 9º ano podem ter regredido, em média, 4 anos em leitura e língua portuguesa e até três anos de matemática. Para especialistas, o uso das tecnologias pode sim ser um aliado para recuperar esse atraso.

"A gente deveria levar da pandemia uma maior sabedoria sobre inclusão digital, qual a importância dela e uso de forma complementar. O acesso remoto pode ser uma ferramenta útil que talvez a gente não tenha usado bem, mas ela está disponível", explicou Marcelo Neri, diretor do FGV Social.

Pernambuco

Para Pernambuco, o caminho para a recuperação dos estudantes passa, de acordo com estudiosos, pela integração da tecnologia com a extensão da jornada escolar dos estudantes.

"É aquilo que eu estou chamando do aluno em tempo integral. É aquele aluno que tem atividades presenciais num dos turnos e num outro turno, através de um planejamento pedagógico da escola em que ele se encontra, a escola formatar um planejamento de atividades escolares usando essas novas tecnologias", apontou Mozart Neves, membro do Conselho Nacional de Educação.

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