Caso Miguel

Caso Miguel: criança completaria 7 anos nesta quarta-feira (17), e mãe convoca tuitaço por pedido de Justiça

Miguel tinha apenas 5 anos quando caiu do 9º andar de prédio de luxo no Recife, após ser deixado sozinho em elevador por patroa da mãe

Gabriel dos Santos Araujo Dias
Gabriel dos Santos Araujo Dias
Publicado em 17/11/2021 às 10:11
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Vítima de uma queda do 9º andar de um prédio de luxo do Recife em 2020, após ser deixado sozinho dentro do elevador pela patroa da mãe, o menino Miguel Otávio completaria 7 anos de idade nesta quarta-feira (17), se estivesse vivo. Para marcar o dia, a mãe do pequeno, Mirtes Renata, levará flores ao túmulo do filho e convocou uma manifestação que acontecerá no Twitter para pedir por Justiça.

"Preciso de vocês para nos unirmos num TUITAÇO AMANHÃ [hoje], DIA 17, ÀS 14H, pedindo por #JustiçaPorMiguel!", escreveu Mirtes no Instagram. "Nada vai trazer meu neguinho de volta. Mas eu não desistirei até que seja feita #JustiçaPorMiguel!", afirmou a mãe, que, hoje em dia, faz faculdade de Direito.

A morte de Miguel aconteceu no dia 2 de junho de 2020. Miguel havia ido passar o dia no trabalho da mãe, Mirtes Renata, que era empregada doméstica em um prédio de luxo no bairro de São José, no centro do Recife. No momento em que tudo aconteceu, Mirtes havia deixado Miguel sobre os cuidados de Sari Corte Real para poder levar o cachorro da patroa para passear. Enquanto a mãe estava fora do prédio, Miguel saiu do apartamento. Imagens do circuito interno de câmeras mostram quando Miguel corre para dentro do elevador.

Ao invés de retirar o menino do equipamento, Sari apertou um botão do painel de controle e saiu. As portas se fecharam e Miguel ficou sozinho. Em seguida, imagens mostram quando Miguel sai do elevador no nono andar. As investigações apontaram que o menino saiu do elevador, caminhou alguns metros, escalou uma estrutura, mas se desequilibrou e caiu de uma altura de 35 metros.

Indiciamento de Sari Corte Real

Após longo debate entre juristas sobre a qual crime Sari deveria responder, a Polícia Civil de Pernambuco decidiu indiciar a mulher por abandono de incapaz com resultado morte. A denúncia foi aceita pelo Ministério Público de Pernambuco que, agora, é o responsável por pedir a condenação da mulher, que, na época da morte de Miguel, era primeira-dama do município de Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco.

Além do crime de abandono de incapaz, a denúncia também apresenta dois agravantes: o fato de a vítima ser uma criança e de que o crime aconteceu "em ocasião de calamidade pública", por causa da pandemia do novo coronavírus.

Sari nunca foi efetivamente presa. No dia da morte de Miguel, Sari foi levada à delegacia, mas pagou uma fiança no valor de R$ 20 mil para responder o processo em liberdade. Se condenada pelo crime de abandono de incapaz com resultado morte, Sari pode ser condenada a um período de reclusão que varia entre 4 e 12 anos.

Pedido por Justiça

"Miguel completaria 7 anos amanhã, dia 17. Infelizmente, eu não vou ter meu filho aqui comigo para comemorar essa data. A única forma que eu vou comemorar essa data é indo ao cemitério e levando um buquê de flores para ele, porque ele gostava muito de flores, de me dar flores. Essa vai ser uma forma de homenagear o meu neguinho, de dar um presente a ele.

Os dias estão sendo muito difíceis e preciso da ajuda de vocês para fazer com que o Caso Miguel não caia no esquecimento. Ainda mais nessa semana do aniversário dele e do Dia da Consciência Negra. Precisamos chamar a atenção e gritar juntos e juntas por #JustiçaPorMiguel!", escreveu Mirtes Renata na rede social.

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