MOVIMENTO

Psicologia em Movimento: o deserto do real


O colunista Sylvio Ferreira falou sobre o tema no programa Movimento Cultural

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 04/01/2022 às 23:00
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Coluna Psicologia em Movimento é apresentada semanalmente - FOTO: Reprodução/ Internet
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Nunca vivemos tão próximos e tão distantes ao mesmo tempo. Afinal, a Era Digital ocasionou um achatamento do espaço e do tempo, causando uma espécie de vertigem que nos faz acreditar que quem está do outro lado da tela do computador, ou do visor do celular, encontra-se ao alcance das mãos.

Mas, na realidade, não é bem assim. Tudo não passa de uma miragem ou uma espécie de jogo de espelhos.

A multiplicação de si, e do Outro, como se possuíssemos de uma hora para outra o dom da onipresença ou ubiqüidade, não passa de um pesadelo que, ao despertarmos a cada dia, só nos faz ver que estamos mergulhados no deserto do real. Estamos nos alicerçando em opiniões, crenças e convicções que não se sustentam nem se mantêm de pé, nem as nossas nem as do Outro.

Assim, somos levados a acreditar que não estamos sós, quando na verdade acontece exatamente o contrário, nunca estivemos tão sós como agora. Fazemos parte de uma verdadeira multidão solitária, onde cada um de nós vagueia pelo deserto do real, o deserto dominado pelo espírito de rebanho; pela morte do espírito irriquieto; pela cristalização do desejo; pela imagem de Narciso, de ponta-cabeça, diante do espelho, sem reconhecer a si mesmo, pois o corpo e a pele que o habita são de um Outro perdido na miragem de um mundo sem ninguém, um mundo constituído unicamente pelo umbigo imaginário de cada um, cuja voz se faz eco de um vazio sem fim, e nada mais.

Para fugirmos desse vazio sem fim, tentamos nos amparar no que o mundo nos oferece como a ilusão da verdade, para assim evitarmos de ter que nos deparar com o real: o vazio da vida e da existência em estado nu e cru.

Ouça a coluna na íntegra:

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