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Caso Beatriz: suspeito de matar menina de 7 anos escreve carta em que diz ser inocente; leia texto


Advogado afirma que homem escreveu carta na qual diz ser inocente

Bruna Oliveira
Bruna Oliveira
Publicado em 18/01/2022 às 20:21
Arquivo pessoal
Beatriz foi assassinada com 42 facadas em Petrolina, no Sertão do estado - FOTO: Arquivo pessoal
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O homem apontado pela Polícia Civil de Pernambuco como suspeito de assassinar a facadas a menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, em 2015, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, escreveu uma carta, apresentada pelo seu advogado na qual afirma ser inocente.

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Segundo o texto divulgado pelo advogado Rafael Nunes, o homem diz ter sido coagido para que confessasse o crime.

"Eu sou inocente, eu não matei a criança, confessei na pressão. Pelo amor de Deus, eles querem minha morte, preciso de ajuda. Estou com medo de morrer, quero viver. Eu não sou assassino", diz trecho de texto assinado nessa segunda-feira (17).

O homem foi apontado pela polícia como autor do crime na última terça-feira (11). Na ocasião, a Secretaria de Defesa Social (SDS) informou ter solucionado o assassinato com base em exames de DNA feitos na arma do crime. 

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Na carta, o suspeito ainda afirmou querer falar com a mãe de Beatriz, Lucinha Mota e disse querer proteger a sua mãe. "Quero falar com a mãe da criança. Quero a proteção de minha mãe", escreveu.

O homem finalizou a carta assinando seu nome, a data e com a frase religiosa "Deus é Justo".

Leia carta na íntegra:

"Eu sou inocente, eu não matei a criança, confessei na pressão. Pelo amor de Deus, eles querem minha morte, preciso de ajuda. Estou com medo de morrer, quero viver. Eu não sou assassino.
Quero falar com a mãe da criança. Quero a proteção de minha mãe. Deus é Justo"

 

REPRODUÇÃO/TV JORNAL
Carta escrita pelo suspeito de matar a menina Beatriz Angélica Mota - REPRODUÇÃO/TV JORNAL

O que diz a SDS

Em nota, a SDS afirmou que " inquérito sobre o assassinato da menina Beatriz está sendo realizado dentro de todos os parâmetros legais, com zelo e lisura" e que "o caso segue sob sigilo". Leia texto na íntegra:

A Secretaria de Defesa Social reforça que todo o inquérito sobre o assassinato da menina Beatriz está sendo realizado dentro de todos os parâmetros legais, com zelo e lisura. Esclarece ainda que o indiciamento do suspeito do crime foi realizado após a identificação positiva através de comparação de DNA. Essa é uma prova técnico-científica, que foi ratificada pela confissão do preso que se coaduna com as demais provas existentes no inquérito policial e é compatível com a dinâmica dos fatos e toda a linha de tempo descoberta durante a investigação. Importante ressaltar que a Polícia Civil filmou o depoimento na íntegra, seguindo todas as regras legais, a fim de evitar quaisquer questionamentos, tentativas de macular a confissão ou estratégias projetadas para tumultuar o caso.

A SDS informa, ainda, que o caso segue sob sigilo, e a Polícia Civil de Pernambuco está dando continuidade às diligências solicitadas pelo Ministério Público Estadual, bem como à compilação de todas as provas necessárias para conclusão do inquérito policial e consequente remessa ao MPPE.

O que diz a família de Beatriz

Em uma transmissão ao vivo realizada nas redes sociais na noite desta terça-feira, a mãe da menina Beatriz, Lucinha Mota, falou sobre a carta escrita pelo suspeito. Ela diz acreditar que o homem é culpado, mesmo que se diga inocente.

"Nessa semana o advogado dele mudou e, com isso, eu já esperava que ele fosse agir dessa forma. Eu fico triste com isso, mas de certa forma esperava", declarou.

Ainda segundo Lucinha, ela, acompanhada de uma equipe de peritos, assistiu ao vídeo da confissão feita pelo suspeito à polícia e que todos os profissionais afirmaram que o homem cometeu o crime contra a criança.

"Teve um perito que falou que mesmo que não houvesse o resultado do DNA, ele [o suspeito] é 100% o assassino de Beatriz. O vídeo mostra claramente que ele não sofreu nenhuma pressão e nem ameaça", falou. 

Identificação do suspeito

Na última terça-feira, a polícia divulgou ter identificado o suspeito, que seria um homem que se encontrava em uma unidade prisional pela prática de outros crimes. Segundo a corporação, o homem teria sido ouvido e confessado o crime.

Ainda segundo a polícia, a identificação do suspeito teria se dado por meio de análises do banco de perfis genéticos do Instituto de Genética Forense Eduardo Campos, que identificou o DNA recolhido na faca utilizada no crime"

Caso sem solução por 6 anos

Praticado no dia 10 de dezembro de 2015 no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, o assassinato de Beatriz completou seis anos em 2021 sem que ninguém tivesse sido preso.

Com 24 volumes, o inquérito do caso, que possui 442 depoimentos, sete tipos diferentes de perícias, 900 horas de imagens e 15 mil chamadas telefônicas analisadas, foi remetido ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), no dia 13 de dezembro de 2021.

Os autos já haviam sido enviados em 2019, quando o MPPE requisitou novas diligências. Todas as solicitações foram cumpridas e entregues ao Ministério pela Força-Tarefa criada pela Chefia de Polícia para investigar o caso.

Os quatro delegados, com vasta experiência em investigações relativas a crimes de homicídios, revisitaram todo o material que já havia sido produzido e realizaram novas diligências.

 


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