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Psicologia em Movimento: Tropeçar, cair e erguer-se


O colunista Sylvio Ferreira falou sobre o tema no programa Movimento Cultural

Rádio Jornal
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Publicado em 17/02/2022 às 18:41
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Recomeço - Psicologia em Movimento - coluna semanal
Recomeço - Psicologia em Movimento - coluna semanal
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Por mais realista que alguém seja, que procure andar com os pés firmes no chão, que não seja dado a devaneios e idealizações, em relação ao que pensa e ao que sente em relação ao mundo e a vida, não há como alguém deixar de fantasiar ou idealizar os seus projetos e planos, no que concerne a variados aspectos da sua vida. E assim ocorre, porque assim é a vida. Não há como alguém viver sem sonhar.

Sonhamos com um relacionamento perfeito, um emprego maravilhoso, com uma vida familiar sólida, com relações de amizades estabelecidas na confiança mútua, como o seu principal alicerce, com o par perfeito nas relações íntimas, etc. Para aqueles que vivem com a cabeça no mundo das nuvens, a vida é uma eterna idealização. Para esses, tropeçar e cair ou fracassar em relação a alguns dos seus planos ou sonhos, em geral, ocasiona muita frustração, dor e desapontamento. Haja vista que essas pessoas têm grandes dificuldades de aceitar que o mundo, a vida, etc., possam ser inteiramente diferentes dos seus planos, sonhos e fantasias.

Quando a realidade se revela para elas diferente do que elas imaginavam, elas, não raro, tropeçam e caem, apresentando grande dificuldade de manterem-se de pé, sentindo-se traumatizadas por seus sonhos não terem se realizados conforme desejavam. É o que faz com que o tropeço e o baque vividos pareçam ser bem maiores do que são. Nesse caso, a dificuldade de erguerem-se e deixar a vida seguir adiante (recomeçando de um ponto zero, supondo a existência desse possível ponto), para essas pessoas, exige um esforço sem igual.

Diante do tropeço e da queda, elas costumam se abater e deprimir, quando a situação exige delas exatamente o oposto, determinação e coragem para recomeçar e confiança em si mesma para não se dar por derrotada nem perder a esperança no amanhã. Essas pessoas devem entender que os tropeços e quedas são partes integrantes da vida, não exceções.

O que requer de cada um de nós a consciência da certeza que, mais cedo ou mais tarde, a vida, o mundo, as pessoas, haverão de frustrar os nossos sonhos, do mesmo modo que nós haveremos de frustrar os delas. Quando assim ocorre, somente nos resta entender, que os projetos e sonhos que formulamos não devem ser frutos de uma ideia rígida, no sentido de que eles têm que se realizar de todo modo.

A realidade não é bem assim! Embora ela possa nos frustrar, ela também nos ensina que existem diferentes modos de alcançar os mesmos objetivos, tanto quanto, ela também nos ensina, que bem podemos mudar de planos e virmos a ser ainda mais felizes.

Na luta contra as adversidades da vida, sobrevivem os mais adaptáveis as mudanças, os mais flexíveis, não os mais rígidos. Ou sejam, aqueles que tropeçam, caem, e se erguem, prontos para enfrentar o desafio de um recomeço: com nova disposição de ânimo, novos desafios e novas estratégias de luta. Por fim, para aqueles que não se permitem sonhar, devaneiar, dar asas à imaginação, procurando andar sempre com os pés firmes no chão, o tropeço e a queda, quando acontecem, é bem mais difícil de superar, por incrível que pareça.

foi sobre o tema "Tropeço, queda, e recomeço" que o apresentador Marcelo Araújo, conversou com o psicólogo Sylvio Ferreira na coluna Psicologia em Movimento.

 

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