Conheça a história de Nino, zagueiro pernambucano que conquistou a medalha de ouro com a seleção brasileira

Brasil encarou a Espanha neste sábado (7) pela final do torneio de futebol masculino nos Jogos de Tóquio

ENTREVISTA
Conheça a história de Nino, zagueiro pernambucano que conquistou a medalha de ouro com a seleção brasileira

Nino é titular absoluto na zaga da seleção brasileira olímpica e vai em busca da medalha de ouro em Tóquio - Foto: Lucas Figueiredo/ CBF

Filipe Farias | Atualizada em 07.08.21, às 12h21

Pernambuco teve um representante na final do torneio de futebol masculino nos Jogos de Tóquio. Nascido no Recife, o zagueiro Nino, do Fluminense, foi convocado pelo técnico André Jardine e foi titular em todos os jogos na trajetória olímpica da seleção brasileira e conquistou o ouro nas Olimpíadas de Tóquio, neste sábado (7). Ainda pouco conhecido do torcedor pernambucano, o defensor de 24 anos é mais um atleta lapidado pelo treinador Barão ainda na infância, mas que não teve oportunidade no Trio de Ferro da capital. Em entrevista exclusiva concedida à reportagem da Rádio Jornal, Nino falou sobre a admiração por seu primeiro treinador e do sonho de conquistar a medalha de ouro.

 

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"Barão é muito especial. O trabalho que ele faz não existe ninguém no mundo que faça dos sete aos 14 anos. Ele prepara o jogador desde os fundamentos básicos, até deixá-lo pronto. E ele sempre fez isso sem muito incentivo. É o tipo de cara que precisa de pouca coisa para fazer algo extraordinário. Hoje vemos os frutos dele... Junto comigo na seleção olímpica tem o Matheus Cunha (atacante paraibano, do Hertha Berlim, da Alemanha). Outros que passaram por Barão foram: Otávio (meia paraibano, atualmente no Porto, de Portugal) e Rômulo (meia pernambucano, que estava no Busan IPark, da Coreia do Sul), todos passaram pelo CT Barão e realizaram o sonho de se tornar jogador profissional", declarou Nino, que na infância jogava futsal na AABB e também no Santa Cruz.

Titular inconteste da zaga do Fluminense e atuando em alto nível, a convocação para a seleção sub-23 era mais que natural. E, desde o início do ciclo do pré-olímpico, Nino sempre esteve presente nas convocações do técnico André Jardine, que também transformou o zagueiro pernambucano em peça fundamental no sistema defensivo brasileiro.

"Quando fui convocado (para as Olimpíadas) a emoção foi imensa. Lembrei do começo, de todo o processo pré-olímpico. Conversava com minha família que parecia algo distante... Chegar numa Olimpíada. Graças a Deus realizando esse sonho. Passa um filme na minha cabeça de tudo o que tivemos de abrir mão. Quando falo a gente é porque não foi só eu, mas minha família também. Perdi o casamento da minha irmã. Inúmeros dia dos pais, dia das mães, aniversários... Perdi a formatura dos meus primos. Muita gente teve de abrir mão para eu poder realizar o meu sonho profissional. Mesmo com as dificuldades que passamos, as portas fechadas que encontramos, outras se abriram de repente, sem imaginarmos. E o apoio que tive deles é algo emocionante. Vejo que valeu a pena. Espero que todos que me ajudaram se sintam realizados com minha participação nos Jogos Olímpicos e que eu possa jogar por eles de alguma maneira", declarou Nino.

Foco no Ouro

Depois de todo caminho percorrido, o foco do atleta era mesmo na medalha de ouro. "Claro que vai chegando perto vem a ansiedade, com a mescla de responsabilidade de representar o país do futebol e atual campeão olímpico. Mas vamos forte e temos um bom time. Estamos preparados por tudo que passamos até aqui. Vamos motivamos para conquistar a medalha de ouro novamente", garantiu o zagueiro pernambucano.

 

Zagueiro Nino em disputa de bola pelo alto contra jogador mexicano
Zagueiro Nino em disputa de bola pelo alto contra jogador mexicano
Lucas Figueiredo/ CBF

CARREIRA

Após início no futsal, na transição para o campo, Nino jogava de volante e tentou a sorte no sub-17 do Sport, mas acabou sendo dispensado... Encontrando no Criciúma as portas abertas para recomeçar. "Joguei um ano na base do Sport, mas sem muita valorização e, por essa falta de valorização, deixei o Estado porque sabia que aí (Pernambuco) seria muito difícil. Eu cheguei no Criciúma muito novo, com idade ainda na formação do seu caráter, da maneira de viver, você ainda não é adulto e não tem maturidade para viver longe dos pais e da família, sendo que meu pai, minha mãe, todos me apoiaram muito. E sobre o Criciúma, não tenho como mensurar. Cheguei lá depois de ter sido dispensado, num momento que não sabia bem o que ia acontecer e o clube abriu as portas e confiou em mim. Me deu oportunidade de terminar a minha base, me colocou pra jogar pela primeira vez como profissional... Então, é um clube que tenho uma enorme gratidão no meu coração", contou o defensor.

Na sua curta passagem pelo Sport, Nino relembra alguns jogadores com quem jogou na base. "Everton Felipe, que está no São Paulo, é do mesmo ano que eu e jogamos no primeiro ano do sub-15. Joelinton, do Newcastle, também jogou no meu time. Neto Moura que está na Ponte Preta. Já Ronaldo, volante que ainda está no Sport, jogava numa categoria acima. Alguns dos jogadores que chegaram no profissional", apontou.

A boa regularidade no Criciúma, alcançando mais de 80 jogos no profissional do time catarinense, chamaram a atenção do Fluminense. Que, apesar de inicialmente ter feito um contrato de empréstimo, não demorou muito para exercer a opção de compra do zagueiro.

"Era algo que sempre quis e trabalhei para alcançar esse sonho que tinha. Já alimentava isso no coração, de ter a oportunidade de aparecer nacionalmente falando. Representar uma das maiores camisas do País e do continente. Então, busquei chegar preparado para encontrar todo tipo de situação. O primeiro ano foi por empréstimo e, o normal, seria voltar para o Criciúma após o contrato. E estava preparado caso não desse certo. Porém, eu estava focado para atrair o interesse do Fluminense em exercer o direito de compra. Graças a Deus fui bem, tive um bom número de partidas e, no final do ano, livramos o time do rebaixamento (em 2019). Esse ano alcancei a marca de 100 jogos pelo clube e foi muito especial. Espero manter essa regularidade e alcançar outras marcas expressivas".

Nino, zagueiro pernambucano, comemora com os companheiros os bons resultados do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio
Nino, zagueiro pernambucano, comemora com os companheiros os bons resultados do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio
Lucas Figueiredo/ CBF

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