Entrevista

Eu nunca tive a disposição de sair do PSB, diz Fernando Filho

O ministro também disse que confia na conduta do seu pai, o senador Fernando Bezerra Coelho, e acredita no arquivamento no processo contra ele

Rádio Jornal
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Publicado em 28/07/2017 às 12:00
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O ministro de Minas e Energia, Fernando Filho, disse, nesta sexta-feira (28), não ter a disposição de deixar o PSB, mesmo tendo sido criticado por uma ala do partido socialista por não desembarcar do governo de Michel Temer. Ainda assim, o pernambucano admitiu conversar com outras siglas caso seja expulso do partido socialista.

Em entrevista concedida à Rádio Jornal, o ministro disse que não tem a intenção de mudar a posição política dos socialistas. "Eu não quero mudar nem radicalizar a posição partidária, queremos que a posição dos parlamentares seja respeitada, e o que houve foi um enquadramento. Eu nunca tive nem tenho a disposição de sair do PSB. Se vão nos colocar para fora do partido, o mundo da política está vendo isso. Estamos sendo cortejados não só pelo DEM e PMDB. Deputados individualmente estão sendo procurados por outros partidos".

Fernando decidiu, em maio, permanecer à frente da Pasta, desobedecendo a orientação do PSB para que ele acompanhasse o partido no desembarque. O presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, sinalizou inclusive que pode haver expulsão do correligionário. A possível expulsão segue no conselho de ética do partido.

Nas últimas semanas, o nome de Fernando Filho e do seu pai, o senador Fernando Bezerra Coelho, têm sido mencionados em gestos de aproximação política com o ministro da Educação, Mendonça Filho, e do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, duas lideranças do DEM. Durante a entrevista, Fernando falou sobre Maia como "um pólo de atração política".

Ouça o debate com Fernando Filho na íntegra

Sobre as conversas com outros partidos, Fernando Filho falou sobre o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM), e disse que aguarda as eleições da sua sigla no final deste ano para a definição de um posicionamento. "Tenho uma boa relação com Rodrigo Maia e ele é um pólo de atração política. Vamos esperar as eleições do partido (PSB) em outubro".

Em relação as denúncias contra o seu pai, o senador Fernando Bezerra Coelho, acusado de receber ilegalmente certa de R$ 200 mil para campanha eleitoral em 2010, o ministro se disse crente no arquivamento da denúncia, que teve abertura solicitada pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. "Tenho confiança na conduta dele. São 32 anos de vida pública, e está passando por um momento que será superado".

Líder de PSB na Câmara avalia convites do DEM e PMDB

Tereza Cristina, líder do PSB na Câmara dos Deputados, avaliou que ao menos doze deputados podem deixar bancada socialista, caso se mantenham questão contrária as reformas no partido. Ao confirmar mal-estar na sigla, a parlamentar do Mato Grosso do Sul condicionou a debandada a mudanças na regra eleitoral.

“Não quer dizer que vou sair amanhã, mas bloco unido de doze deputados os partidos se interessam. Quem não quer em sua bancada federal”, diz Tereza, que ainda busca reencontrar a paz interna sem descartar mudança com janela partidária criada a partir da aprovação da reforma política.

Dentre os partidos que vem cortejando os dissidentes estão PMDB, DEM, PSD e PR. Os dois primeiros tem o presidente da República, Michel Temer (PMDB) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) como articuladores.Tudo, no entanto, está condicionado a reforma que pode definir o financiamento de campanha e fim das coligações.

Aumento da gasolina e refinaria do Nordeste

O aumento no preço do litro da gasolina também entrou em pauta. Fernando Filho enxergou o assunto com naturalidade, e ressaltou que o crescimento dos preços não é culpa somente dos impostos. "Houve uma taxação no piso e um aumento abusivo por parte das distribuidoras para aproveitar essa onda. Nem tudo que tá aí no combustível foram os impostos. Ninguém gosta de aumentar imposto, mas ano passado, quando o Governo assumiu em um cenário de extrema fragilidade, fez uma previsão de déficit para este ano de 139 bi de reais. Tínhamos uma expectativa de crescimento da economia que não se confirmou por problemas políticos. Ou você faz uma mudança na meta do déficit ou você faz um movimento para compensar a receita frustrada".

Em relação aos investimentos na Refinaria Nordeste, de acordo com o ministro, um montante de mais de R$ 7 bilhões ainda falta ser investido. "A refinaria do nordeste tem uma capacidade para 230 mil barris, não é uma refinaria grande para os moldes internacionais. Precisaríamos de um montante de 2 bi de dólares para vermos esse investimento da Petrobrás terminado", concluiu.

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