ENTREVISTA

Raul Jungmann acusa candidatos de usar tensão com venezuelanos para ganhar eleições


O ministro da Segurança Pública disse que os conflitos entre brasileiros e imigrantes estão sendo amplificados de propósito. Raul Jungmann também afirmou que ofereceu ajuda à governadora de Roraima, mas não obteve resposta.

Maria Luiza Falcão
Maria Luiza Falcão
Publicado em 27/08/2018 às 12:36
Foto: Marcelo Camargo / ABr
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Em entrevista à Rádio Jornal, o ministro da Segurança Pública Raul Jungmann afirmou que a situação brasileira com a chegada de imigrantes venezuelanos ao Brasil, mas que grupos políticos estão se aproveitando do momento eleitoral para aumentar as tensões. Um dos casos de uso eleitoral da situação seria a troca de farpas entre a governadora de Roraima, Suely Campos (PP), que acusa o senador Romero Jucá (MDB) de trabalhar contra o Estado. Para o ministro, “existe uma espécie de disputa para ver quem amplia ou magnifica o problema”, diz. Raul Jungmann afirma ainda que a situação do Brasil não é confortável, mas não é das piores.

Jungmann afirma que está ciente das dificuldades enfrentadas pelos estados do Norte do País, em especial por Roraima. “Imigração em qualquer lugar do mundo dá desconforto, dá conflito, dá tensão. Num Estado tão distante, com pouca infraestrutura, com a população pequena, o impacto a chegada de migrantes é muito maior”, disse. “Estive na Colômbia e eles receberam mais de 1 milhão de venezuelanos e eu ouvi das autoridades colombianas que eles não tinham recurso, não tinham mais o que fazer. O Equador, se eu não me engano, recebeu 400 mil, o que é quase 4 vezes mais do que recebemos”, afirma. Segundo Jungmann, já foram mais de 2,5 milhões de venezuelanos deslocados.

A estimativa do governo brasileiro é que mais de 127 mil venezuelanos já tenham entrado no País. Após os ataques aos abrigos em Pacaraima, registrados nas últimas semanas, o governo federal acredita que 1,2 mil refugiados tenham retornado à Venezuela.

Disputa eleitoral

Para o ministro, a questão humanitária na Venezuela já se nivela com as maiores crises do mundo, incluindo os lugares que estão em guerra. “É evidente que isso cria tensão, problemas, dificuldade, sofrimento. Agora, a disputa eleitoral trata de multiplicar. Se o problema é x, ela multiplica por 3x, por 10x e isso cria um acirramento de ânimos”, afirma. “Se existe um desconforto e você dobra isso, triplica isso, você está reforçando a xenofobia”, diz.

Para o ministro, existem candidatos usando quem usa a tragédia da Venezuela para ganhar as eleições de maneira sórdida.“Na história do Brasil nunca tivemos nas nossas fronteiras uma crise humanitária sequer semelhante a essa, que é uma das maiores do mundo. Você fazer política em cima da tragédia humana de quem perdeu sua casa, de quem perdeu sua história, deixou a vida e até a sua língua para trás para não morrer é muito triste”, lamenta.

Conflitos em Pacaraima

Para tentar evitar novos conflitos em Pacaraima, o ministro afirma que enviou reforço de 60 homens da Força Nacional. Até a próxima quarta-feira (29), devem chegar mais 60 militares.

Porém, para o ministro, isso não é suficiente. “Eu disse à governadora que, se ela não tivesse condições de manter a ordem, que ela solicitasse a Força Nacional e ela não deu qualquer resposta”, reforça.


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