ALERTA

HR identifica relação entre arboviroses e doenças neurológicas

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) apontou um aumento nos casos de arboviroses

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 29/05/2019 às 15:59
Pixabay
FOTO: Pixabay
Leitura:

O serviço de neurologia do Hospital da Restauração revelou, nesta quarta-feira (29), ter encontrado uma correlação entre as arboviroses, doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti, e consequências graves no sistema neurológico de pacientes atendidos no.

Além de casos já identificados anteriormente como a Síndrome de Guillain-barré e miosite, o serviço também identificou que pacientes acometidos por acidente vascular cerebral (AVC), esclerose lateral amiotrófica (ELA) e convulsões já haviam registrado algum caso de arbovirose, como dengue, zika ou chikungunya.

Segundo a médica Maria Lúcia Brito, chefe do serviço de neurologia do Hospital da Restauração, os casos de danos neurológicos passaram a ser correlacionados com as arboviroses após uma curiosidade da equipe. "A gente não pode esquecer de fazer a pergunta se o paciente teve alguma infecção [por arbovirose] e qual foi, porque pode ter sido o gatilho para que toda essa manifestação possa ter ocorrido", contou.

A neurologista também detalha o número de casos registrados que tiveram relação com a dengue, zika e chikungunya. "Nos casos de AVC houve o predomínio de zika vírus, embora também tenha tido casos com chikungunya. Dos casos de miosite, praticamente todos foram chikungunya, quase que 100%. Dos casos de convulsão, teve dupla infecção, como forma poucos casos a gente não pode falar em predominância. E dos casos de ELA, ficou mais ou menos no meio termo entre zika e chikungunya", disse.

Confira os detalhes na reportagem de Felipe Rocha:

Crescem casos de arboviroses

Também foi registrado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) um aumento no número de arboviroses se comparado ao mesmo período do ano passado.

Segundo boletim da SES, de 1º de janeiro até o dia 25 de maio, os casos notificados de dengue cresceram 68,4% em Pernambuco, enquanto que os de chikungunya chegaram a 73,2% e, os de zika tiveram um aumento de 158,1%. Os números são comparados ao mesmo período do ano passado.

De acordo com a gerente de arboviroses de Pernambuco, Claudenice Pontes, apesar do aumento, Pernambuco ainda não sofre uma epidemia. Entretanto, os novos registros de danos neurológicos, acendem um alerta para o controle e combate ao mosquito Aedes aegypti.

Combate ao mosquito

Inquérito sobre arboviroses no Recife
Inquérito sobre arboviroses no Recife
Alexandre Gondim/JC Imagem

A melhor forma de combater as arboviroses é o combate ao mosquito transmissor das doenças, o Aedes aegypti. Confira algumas orientações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Prevenção

  • Tampe os tonéis e caixas d’água;
  • Mantenha as calhas sempre limpas;
  • Deixe garrafas sempre viradas com a boca para baixo;
  • Mantenha lixeiras bem tampadas;
  • Deixe ralos limpos e com aplicação de tela;
  • Limpe semanalmente ou preencha pratos de vasos de plantas com areia;
  • Limpe com escova ou bucha os potes de água para animais;
  • Retire água acumulada na área de serviço, atrás da máquina de lavar roupa.
  • Cubra e realize manutenção periódica de áreas de piscinas e de hidromassagem;
  • Limpe ralos e canaletas externas;
  • Atenção com bromélia, babosa e outras plantas que podem acumular água;
  • Deixe lonas usadas para cobrir objetos bem esticadas, para evitar formação de poças d’água;
  • Verifique instalações de salão de festas, banheiros e copa.

Proteção

  • Utilize telas em janelas e portas, use roupas compridas – calças e blusas – e, se vestir roupas que deixem áreas do corpo expostas, aplique repelente nessas áreas.
  • Fique, preferencialmente, em locais com telas de proteção, mosquiteiros ou outras barreiras disponíveis.

Cuidados

  • Caso observe o aparecimento de manchas vermelhas na pele, olhos avermelhados ou febre, busque um serviço de saúde para atendimento.
  • Não tome qualquer medicamento por conta própria.
  • Procure orientação sobre planejamento reprodutivo e os métodos contraceptivos nas Unidades Básicas de Saúde.

Mais Lidas