MORADIA

Holiday: Moradores esperam voltar para casa um ano após desocupação


Desocupação do Edifício Holiday foi determinada pelo TJPE após a constatação de que o prédio apresenta problemas estruturais e risco de incêndio

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 15/03/2020 às 13:58
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Doze meses na expectativa de voltar para casa. Essa é situação dos moradores retirados do Edifício Holiday, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Na última quinta-feira (12), fez um ano que o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) determinou a interdição imediata do prédio por causa dos riscos que corriam os mais de três mil residentes do local.

A determinação colocou a realização de reparos na estrutura e na parte elétrica do edifício como condição para o retorno dos habitantes.

O síndico do Holiday, José Rufino Bezerra, afirma que a Universidade de Pernambuco (UPE) está tratando do projeto de reforma. De acordo com o síndico, o condomínio buscou apoio de voluntários da sociedade civil para a reabilitação mais breve possível das moradias.

Segundo José Rufino, o poder público não tem interferido na situação, alegando que que a área é privada e as ações são de responsabilidade do condomínio.

O vigilante Rogério Inácio de Souza, de 46 anos, é morador do edifício há quatro décadas. Ele demonstra preocupação com a falta de segurança no local e a depredação dos apartamentos. “O meu já foi levada a janela. Box, privada, caixa d’água está tudo acabado. Se a gente voltar um dia para esse prédio a gente vai ter que gastar muito”, denunciou.

De acordo com o síndico, a previsão de retorno aos imóveis só vai ser estimada quando as obras de reparo começarem. Mas, segundo ele, ainda não há recursos para isso. Quanto à situação com a Celpe, ele relata que o condomínio ainda está em negociações com o órgão.

Relembre o caso

No dia 23 de março, o Edifício Holiday foi completamente desocupado. A medida de desocupação e interdição do Holiday foi tomada no dia 12 de março em sentença dada pelo juiz Gomes da Rocha Neto, da 7ª vara da Fazenda Pública da Capital. A decisão saiu após requerimento feito pela Prefeitura do Recife, onde foi identificado que o prédio apresenta problemas estruturais e risco de incêndio, devido às precárias condições da rede elétrica do local.

Com o edifício completamente desocupado, a Prefeitura do Recife e a coordenação da operação fizeram o restante da remoção dos pertences que permaneceram nos apartamentos.

O Holiday é um prédio da década de 1950, e foi construído em meio a alta especulação imobiliária da Praia de Boa Viagem, na época. O tempo se passou e o prédio começou a ser ocupado.

Nos 17 andares, moravam cerca de 3 mil pessoas, nos 476 apartamentos que o Holiday tem. O grande problema é que o Holiday não vinha recebendo a assistência necessária. Por conta disso, a parte estrutural e as fiações elétricas do edifício foram se degradando. E esse foi o grande motivo para que na semana passada, a justiça determinasse a desocupação dos moradores do Holiday.


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