COVID-19

Recife investe em túmulos biosseguros para sepultar mortos por coronavírus


A utilização dos novos túmulos visa evitar que a decomposição dos corpos infectados contaminem o solo e o lençol freático

Publicado em 24/04/2020 às 15:32
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Recife é a primeira capital brasileira a receber tecnologia de biossegurança em um cemitério público. Mais de 1.000 túmulos biosseguros estão sendo construídos no cemitério de Santo Amaro, na Área Central da cidade. Os túmulos possuem uma maior resistência para evitar que os corpos infectados com coronavírus contaminem o solo ou o lençol freático durante a decomposição.

Os túmulos estão sendo fabricados em Abreu e Lima, na Região Metropolitana, onde os funcionários trabalham em três turnos para entregar os pedidos em até 15 dias. As gavetas biosseguras são mais resistentes, feitas com uma resina especial de garrafa pet e a estrutura de sustentação é construída com bagaço de cana, fibra de coco e metralha.. A tecnologia já é utilizada no sepultamento de corpos infectados com outros tipos de vírus, em cemitérios particulares.

Segundo o diretor da empresa que fabrica os túmulos, Guilherme Lithing, os vírus podem sobreviver por anos em ossos e restos mortais. Quando tiverem prontos, os túmulos serão monitorados remotamente através de sensores e os gases e chorume, oriundos da decomposição dos corpos, serão tratados. "Todos os gases retirados desse invólucro são medidos, coletados e tratados. O que sai deles é apenas hidrogênio. Todo o sistema não tem chaminés ou nada parecido. Ele solta hidrogênio que é inerte e sem cheiro, que inclusive ajuda a limpar o ar", detalhou.

De acordo com Lithing, hoje os cadáveres de pessoas mortas ou com suspeita de covid-19 estão sendo envelopados com plásticos, processo que pode trazer problemas para os cemitérios. "Dessa maneira eles não conseguem ser decompostos. Eles ficam enterrados e ninguém conhece o comportamento do vírus ainda, sobretudo, em corpos que vão está lacrados em plásticos na terra. A exumação desses corpos será bastante prejudicada, podendo levar até décadas para isso acontecer", concluiu.

Ouça a reportagem de Cinthya Ferreira:


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