Economia

Por causa da pandemia, há chance de atraso no pagamento de servidores de Pernambuco, diz secretário da Fazenda


De acordo com Décio Padilha, crise provocada pelo coronavírus causou uma perda de mais de R$ 1 bilhão em arrecadação para o estado em três meses

Priscila Miranda
Priscila Miranda
Publicado em 04/06/2020 às 9:53
Nando Chiapetta/Alepe
FOTO: Nando Chiapetta/Alepe
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Em entrevista ao Passando a Limpo desta quinta-feira (4), o secretário da Fazenda de Pernambuco, Décio Padilha, afirmou que atrasos no pagamento de fornecedores e servidores dos servidores do estado podem acontecer por causa da pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, uma queda na arrecadação do ICMS desde março somou cerca de R$ 1 bilhão perdidos em três meses.

“Perdemos, em três meses, mais de R$ 1 bilhão, e a arrecadação de junho vai ser muito ruim. Então, há, sim, um risco de aumentar o atraso e de voltar os atrasos que tinham antes. Porque a ajuda federal é bem insuficiente, e não estou reclamando do tamanho dela, mas há uma possibilidade de voltar os atrasos, sim, mesmo com a ajuda federal. A suspensão do pagamento de dívidas seria um fôlego para o os governadores, mas ele [Bolsonaro] vetou, por insistência de Paulo Guedes. Então, em virtude desse veto, como [Pernambuco] voltou a pagar dívida, há um risco muito grande dos atrasos ficarem bastante significativos”, disse Padilha. Segundo ele, a folha de pagamento dos servidores estaduais é de cerca de R$ 1 bilhão por mês.

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Sobre os valores que deixaram de ser arrecadados pelo estado por causa da crise do novo coronavírus, o secretário da Fazenda explicou que o auxílio federal que começará a ser dado no próximo dia 9 - de parcelas fixas de R$ 269 milhões por quatro meses - não será suficiente para cobrir o rombo causado pela falta de arrecadação desde março em Pernambuco.

"Não se sai de uma crise dessa sem um grande ajuste fiscal. A gente vai ter que se endividar e com a pandemia achatando a curva, vem um grande programa de controle fiscal, segurando o grupo 1, que é a despesa de pessoal, segurando operação de crédito para ninguém se endividar, obrigando a reduzir custeio, obrigando a aperfeiçoar a máquina, isso faz parte. Mas, dentro da pandemia, não dá. Esse veto foi mais uma vez uma sinalização de arrocho fiscal em um ambiente em que a gente precisa fazer expansão de gastos."

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Além do valor fixo de R$ 269 milhões, Pernambuco vai receber ainda do governo federal dinheiro para gastar exclusivamente no combate ao novo coronavírus. "A gente também vai receber R$ 77 milhões que só vai ser aplicado em compra de aparelho, EPIs e despesas com medicamento de Covid. Não é um dinheiro livre."

ICMS

Na entrevista, Padilha detalhou ainda os números das arrecadações com o Imposto sobre circulação de mercadorias e produtos (ICMS) em Pernambuco desde março, no início da pandemia de covid-19 no estado. "Em maio de 2020, fechamos uma conta de R$ 600 milhões a menos se for comparar com a arrecadação esperada no mês quando a gente fechou o planejamento para 2020, e R$ 500 milhões a menos se compararmos [a arrecadação] de maio do ano passado."

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Ouça a entrevista na íntegra:


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