Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, é preso em São Paulo

Ele estava em Atibaia, no interior de São Paulo, em um imóvel de um advogado do senador

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Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, é preso em São Paulo

Fabrício Queiroz foi assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) - Foto: Foto: Reprodução / SBT

Agência Brasil

Fabrício Queiroz, ex-assessor do hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), foi preso no início da manhã desta quinta-feira (18) em Atibaia, interior de São Paulo. Ele deverá ser levado para o Rio de Janeiro.

A ação faz parte da Operação Anjo, que cumpre ainda outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça, relacionadas ao inquérito que investiga a chamada rachadinha, em que servidores da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) devolveriam parte dos seus vencimentos ao então deputado estadual Flávio Bolsonaro. 

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Queiroz era lotado no gabinete do parlamentar à época em que Flávio era deputado estadual.

O nome de Fabrício Queiroz consta em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que aponta uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em uma conta em nome do ex-assessor.

O relatório integrou a investigação da Operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro, que prendeu deputados estaduais no início de novembro do ano passado.

Contra outros suspeitos de participação no esquema (o servidor Matheus Azeredo Coutinho, os ex-funcionários Luiza Paes Souza e Alessandra Esteve Marins e o advogado Luis Gustavo Botto Maia), o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro obteve na Justiça a decretação de medidas cautelares que incluem busca e apreensão, afastamento da função pública, comparecimento mensal em juízo e a proibição de contato com testemunhas. 

A Agência Brasil entrou em contato com a defesa de Queiroz, mas não obteve resposta.

Histórico

Com a investigação em curso, Fabrício Queiroz chegou a faltar a quatro convites para depor no Procedimento Investigatório Criminal (PIC) sigiloso do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ). Alegou problemas de saúde e um tratamento de um câncer, do qual se operou no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

O desaparecimento do ex-assessor de Flávio rendeu à oposição do governo Bolsonaro o questionamento "Cadê o Queiroz?" -, desfeito após o PM aposentado ser localizado com uma reportagem feita pela revista Veja, na capital paulista. O ressurgimento se tornaria incômodo em outubro, quando, em áudio, o ex-assessor foi flagrado afirmando falando de indicações políticas para cargos no Congresso Nacional.

Em sua defesa, Queiroz já disse que ganhava dinheiro ao comprar e revender veículos. Ele apresentou ao MP defesa por escrito com versão modificada. Afirmou que recolhia os salários dos colegas de gabinete para redistribuí-los por mais gente, pagando militantes e ampliando a base de Flávio. O então deputado, de quem era um assessor próximo, desconheceria a prática, segundo afirmou Queiroz.

Como o investigado não apresentou documentos que comprovassem as práticas, tornou-se difícil sustentar as alegações. À medida que a investigação se aproximava de Flávio Bolsonaro - inclusive com a quebra de seu sigilo bancário e de dezenas de outras pessoas físicas e jurídicas ligadas a ele, determinada pelo juiz Flávio Itabaiana - aumentou o mal-estar no governo do pai Bolsonaro.

Outra revelação das investigações apontou ainda que R$ 24 mil haviam saído da conta de Queiroz para a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, quando Jair Bolsonaro ainda era deputado federal, e ela, assessora parlamentar em Brasília. O presidente afirmou que se tratava do pagamento, na conta da sua mulher, de um empréstimo que havia feito ao assessor do filho. Bolsonaro disse ainda que outras prestações poderiam aparecer.

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