"Ele não tem experiência nessa área", diz Mozart Neves Ramos sobre novo ministro da Educação

Mozart Neves criticou tanto a escolha de Milton Ribeiro como novo ministro quanto o trabalho do ex-ministro Abraham Weintraub

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Milton Ribeiro foi anunciado como novo minstro da educação na útlima sexta-feira (10) - Foto: Reprodução

Em entrevista ao Passando a Limpo desta segunda-feira (13), o educador Mozart Neves Ramos, ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e atualmente coordenador da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira da Universidade de São Paulo (USP), falou sobre a indicação do novo ministro do Ministério da Educação, Milton Ribeiro. O especialista não vê com bons olhos a chegada do novo ministro. Segundo ele, Ribeiro não tem a experiência de vida para ocupar um cargo tão importante.

"Ele não é da área da gestão pública da Educação, ele não tem experiência nessa área. Ele foi vice-reitor de uma importante universidade, a Mackenzie em São Paulo, mas é uma universidade muito particular, isolada, ela não faz parte das redes das instituições federais ou estaduais. Ele não tem, portanto, a experiência no campo da gestão pública, isso significa que vai ser um enorme desafio que ele vai ter pela frente, porque vai precisar se articular e dialogar com os diferentes setores da área pública da educação."

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O coordenador da USP ainda criticou a posse do ex-ministro Abraham Weintraub.

"O Weintraub deixou um passivo horroroso para a educação brasileira, não houve diálogo, não houve educação, não houve coordenação nacional da política pública da educação. Milton Ribeiro ou qualquer outro ministro que tomasse posse vai ter que dormir no ministério de tanto que ele vai ter que fazer, seja em relação ao passivo ou também em relação a várias coisas pendentes, entre elas o Fundeb, que é um fundo muito importante para a manutenção e desenvolvimento de toda educação básica, onde 70% dos municípios dependem diretamente do Fundeb para manter a educação municipal.”

Mozard Ramos Neves falou sobre a situação atual do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, Fundeb, criado em 2006 “O Fundeb se concui agora em 2020, vai ser preciso uma emenda na Constituição. Estamos a 4 meses de começar esse processo eleitoral dos municípios, a gente sabe a dificuldade de reunir os palarmentares nesse período. Então o ministro Milton Ribeiro vai ter que rapidamente se organizar com o Congresso porque o presidente da Casa Rodrigo Maia, pretende começar a colocar a discussão e o debate para aprovação do Fundeb agora, porque, como é Emenda na Constituição é um grande desafio nesse período.”

Sobre a pandemia estar afetando as aulas das universidades e institutos federais, suspensas desde março, o coordenador da USP acredita que as instituições deveriam ter feito mais do que fizeram. "Eu particularmente acho que as universidades deveriam ter se movimentado mais. Por exemplo, a USP ofereceu ensino de graduação para todos os alunos, comprou equipamentos para os mais necessitados, que não tinham acesso à internet, para que não ficassem paralisados, tanto na graduação como na pós-graduação", explicou Mozart. Ele ainda lembrou que as universidades federais têm emissoras de rádio e de televisão: Vários municípios fizeram a disseminação do conhecimento da informação através de rádios. Na minha opinião, acho que pelo menos um plano alternativo poderia ter sido oferecido nesse momento.“ afirmou o ex-reitor da UFPE.

Confira a entrevista na íntegra:

 

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