Saúde

“Isso é fruto da própria incompetência do governo”, diz microbiologista Natália Pasternak sobre crise do coronavírus no Brasil


Especialista afirma que o Brasil está atrasado em relação a países que tiveram medidas mais efetivas de combate à pandemia

Carol Coimbra
Carol Coimbra
Publicado em 16/07/2020 às 10:09
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Em entrevista ao programa Passando a Limpo desta quinta-feira (16), a doutora em microbiologia pela USP e presidente do Instituto Questão ciência (IQC), Natália Pasternak, falou sobre a situação do Brasil em lidar com o combate à covid-19. Segundo ela, o país deveria ter feito muito mais para não estar na situação que se encontra atualmente.

“Estamos angustiados, querendo voltar ao mínimo de normalidade, porque ninguém foi feito para ficar preso por meses. A única coisa que eu posso dizer é que é uma pena que o Brasil não tenha tomado medidas mais efetivas no começo. No sentido de fazer uma quarentena bem feita, de se comunicar bem com a população. Porque os países que fizeram isso já estão saindo dessa situação. E, no Brasil, a gente está reabrindo não porque a gente fez um bom trabalho, mas porque a gente fez um trabalho tão ruim, que prolongou tanto tempo, que agora ninguém aguenta mais e a gente pode correr riscos com essa reabertura. A falta de uma resposta efetiva de um Brasil como um todo foi o que levou a essa situação, isso é fruta da própria incompetência do nosso governo.” afirma Natália.

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O Brasil tem, no momento, dois acordos internacionais firmados para obter uma vacina contra o coronavírus - o do laboratório Astrazeneca, de Oxford, na Inglaterra, e o da Sinovac, China. Em relação ao que o País poderia estar fazendo para ir se preparando quando as vacinas forem aprovadas, Pasternak afirma que, mais uma vez, estaríamos atrasados.

“O que o governo deveria fazer a gente pode fazer uma lista. Deveria ter comprado testes diagnósticos, deveria ter comprado respiradores. E, sim, nesse momento, deveria estar preocupado com o planejamento de como vamos fazer a produção de escala das vacinas que já têm acordo internacional. Como vamos distribuir. Não é cedo demais, o Brasil já devia estar pensando nisso. Mas aí a gente precisaria ter pelo menos ter um ministro da saúde, né?”.

Sobre quando a vacina deve chegar e poder ser utilizada por todos, Natália Pasternak acredita que ainda demorará um pouco.” A minha aposta é que certamente no final do ano ou no começo do ano que vem as vacinas já devem estar aprovadas. Agora, de aprovadas para produzidas e distribuídas leva mais tempo. Ainda vamos ter que conviver esse vírus por mais um tempo.”

Confira a entrevista na íntegra:


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