PANDEMIA

'Mais prudente é mantermos medidas de prevenção, já tendo tido covid-19 ou não', alerta infectologista


Casos de reinfecção da covid-19 têm alertado pesquisadores e reforçado o debate sobre a imunidade após infecção pelo novo coronavírus

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 31/08/2020 às 16:10
Bruno Campos/TV Jornal
FOTO: Bruno Campos/TV Jornal
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Algumas pesquisas de monitoramento do comportamento da covid-19 no Brasil já estão registrando uma queda de anticorpos na população de cidades que haviam apresentado as primeiras reduções das infecções pela covid-19. A doutora em infectologia, pesquisadora e professora de doenças tropicais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Vera Magalhães, diz que o “mais prudente hoje é mantermos as medidas de prevenção, já tendo tido covid ou não.

“É possível que a maioria das pessoas não se reinfecte. Mas a gente não pode afirmar isso agora. O que eu acho importante é a gente frisar que a pessoa, tendo tido ou não covid, deve manter as medidas preventivas adequadas: distanciamento social, uso de máscara e higienização das mãos. Isso é importante. Se você andar pelas ruas do Recife vai ver todo mundo sem máscara (...) Parece que já passou e isso não é verdade. Eu fico preocupada com essa postura. O mais prudente hoje é mantermos as medidas de prevenção, já tendo tido covid ou não”, destacou.

IGG

O índice medido por essas pesquisas é o IGG, que é o anticorpo produzido na fase tardia da infecção pelo novo coronavírus. A pesquisadora Vera Magalhães explica que existe um equívoco com relação ao teste sorológico. “É importante a gente entender que a imunidade contra a covid não está completamente esclarecida. Apesar de já terem sido publicados dezenas, talvez milhares, de estudos ainda nós não temos a elucidação de vários aspectos em relação à imunidade, principalmente em relação, por exemplo, à imunidade humoral que é medida pela presença da IGG. Essa IGG que é mensurada nos testes sorológicos não indica, necessariamente, a presença de anticorpos neutralizantes, que são os anticorpos realmente protetores. É possível que a pessoa com a IGG positiva tenha anticorpos neutralizantes? É. Mas a gente não sabe em que percentual porque para saber sobre os anticorpos neutralizantes nós teríamos que fazer o outro teste que não é realizado em laboratórios de rotina. As pessoas confundem muito”, detalhou. Segundo a médica, o teste sorológico é importante no diagnóstico da covid-19.

Segundo a infectologista, caso a pessoa realize o exame RT-PCR, considerado padrão ouro e recomendado pela Organização Mundial da Saúde para diagnosticar a covid-19, e o resultado seja negativo, é possível realizar o teste sorológico caso o paciente apresente os sintomas clínicos da doença. “É uma doença muito complexa, nova e a gente não pode sequer dizer que a presença de IGG denote a presença de imunidade”, disse.

De acordo com a especialista, a queda dos anticorpos por IGG já foi percebida em outros lugares. “Não é surpresa que já esteja caindo a questão dos anticorpos por IGG. Isso já foi notado em várias pesquisas em outros lugares. O que está se observando é que após dois meses da infecção há já um desaparecimento da IGG em um percentual talvez elevado de pacientes”, disse.


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