DENÚNCIA

Violência obstétrica: mulher fica machucada e bebê tem orelha cortada durante parto em hospital de Olinda


Polícia investiga a denúncia de violência obstétrica

Yuri Nery
Yuri Nery
Publicado em 07/10/2020 às 16:08
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A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) investiga a denúncia de violência obstétrica feita por uma mulher atendida na maternidade do Hospital Tricentenário, localizado na cidade de Olinda, na Região Metropolitana do Recife. A diarista Ana Paula Silva contou que um procedimento feito na hora do parto provocou ferimentos nela e no bebê. Segundo ela, o nascimento do tão esperado primeiro filho quase se tornou uma tragédia por causa desse erro.

“Eu senti um corte bem profundo. Aí eu gritei, gritei, gritei. E vi que estava sangrando muito (...) O médico caiu, quando tentou puxar ele [o bebê] com o ferro. Foi quando ele se levantou e saiu às pressas da sala, dizendo que era para emergência, para fazer a cesárea”, relatou Ana Paula.

De acordo com o documento do próprio hospital, a diarista teve a vagina lacerada no parto. O médico teria utilizado uma tesoura e depois um fórceps, na tentativa de fazer o parto normal. Depois de tanto sofrimento, mãe e filho foram levados para outra sala, onde finalmente foi realizada uma cesárea. Foi lá que ela ficou sabendo o que tinha acontecido com a criança. O pequeno Ariel sofreu machucados na cabeça e um corte na orelha, precisando levar quatro pontos.

“Quando ele nasceu, que ele começou a chorar, a enfermeira veio e disse: mãe, olhe o seu bebê. Quando eu olhei, eu vi a orelha dele cortadinha. Chega estava cortado, mesmo”, disse a diarista, que afirma que a enfermeira havia lhe dito que o ferimento teria sido provocado pelo fórceps.

Ainda segundo a diarista, o responsável pelo parto não foi identificado pelo hospital. Ela prestou uma queixa e aguarda agora a punição do médico. Ana trabalha na casa da mãe de Flávia Andrade, que é advogada, e já está acompanhando o caso.

“Infelizmente, o hospital não disse qual é o nome do médico. Como também, solicitamos três vezes o prontuário da paciente, e não entregaram. Ou seja, estão omitindo toda a situação”, explicou.


Nota do hospital

A Polícia Civil informou que mãe e filho já passaram por perícia. Em nota, o Hospital Tricentenário explicou que, na tentativa de fazer o parto normal, os médicos precisaram usar um instrumento cirúrgico chamado fórceps. E que, neste procedimento, há alguns riscos como pequenas lesões na região da cabeça do bebê. A nota diz ainda que o método não foi suficiente para realizar o parto normal e que a paciente precisou ser encaminhada para realizar uma cesariana. Ainda segundo o hospital, mãe e filho receberam alta em boas condições de saúde.

Mais um problema

No entanto, além dos problemas no parto, a família passou por outra situação antes de deixar o hospital. A declaração de nascido vivo da criança foi preenchida de forma incorreta. Onde era para constar o sexo como masculino, estava sexo feminino. Para tirar a certidão de nascimento do filho, Ana Paula ainda vai precisar corrigir esse erro. Em casa e se recuperando, a diarista espera que o filho também não fique com cicatrizes que possam lembrá-lo desse momento difícil.

“Eu espero que fique tudo bem com ele. Que ele não fique com cicatriz, também. Para não ter que ficar a vida toda vendo isso aqui. E sempre lembrar do parto horrível que eu tive, para dar à luz ao meu filho”, finalizou.


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