"O pior dos mundos seria cada estado procurando comprar a vacina por sua conta em risco", diz ex-secretário do Ministério da Saúde

Wanderson Oliveira, que integrou equipe do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, falou dos planejamento para a chegada da vacina da covid-19 no Brasil e como Pernambuco está se preparando

SAúDE

Ex-secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, deu entrevista à Rádio Jornal - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em entrevista ao Passando a Limpo desta quinta-feira (10), Wanderson Oliveira, ex-secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, falou da situação atual da pandemia do novo coronavírus no Brasil e o planejamento do governo federal e dos estados para o recebimento da vacina contra a covid-19.

Segundo ele, é muito pouco provável que os principais grupos de risco consigam ser vacinados no país ainda no primeiro semestre de 2021. Segundo ele, falta um cadastramento prévio dessas pessoas para agilizar os processos, que deve ser feito pelo Ministério da Saúde.

“Eu continuo achando que não vamos conseguir fazer uma grande campanha de vacinação. O que seria uma grande campanha de vacinação:seria conseguir atingir todas as pessoas dos grupos prioritários dentro do primeiro semestre. Isso não vai ser possível. A gente vai conseguir fazer, possivelmente, alguns grupos prioritários, como trabalhadores, alguma parcela de pessoas com comorbidade, espero muito que a gente consiga fazer vacinação de professores, para que a gente tenha o retorno do ensino, e também, obviamente, vai depender das características de cada vacina. Menos importante do que ficar tentando vacinar em dezembro ou janeiro, o mais importante é quando teremos a vacina e quando ela entrou para o registro das agência reguladora. Se ela não entrou, não passa de um desejo, de uma expectativa”, disse Wanderson, que integrou a equipe do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, demitido pelo presidente Jair Bolsonaro no início da pandemia.

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Wanderson está em Pernambuco para prestar consultoria à Secretaria Estadual de Saúde para analisar e interpretar os dados da pandemia e, segundo ele “fazendo uma avaliação das lições aprendidas”.

“Esse processo eu tenho ciência que Pernambuco está participando, está discutindo. Agora, obviamente, estão todos os estados aguardando a manifestação do Ministério porque é de competência do Ministério da Saúde estabelecer qual é a estratégia nacional. Pernambuco pode fazer a mais, não pode fazer menos. O pior dos mundos, para nós todos, seria cada estado procurando comprar a vacina por sua conta em risco. Isso não é salutar para a democracia, não é salutar para a nossa sociedade, isso, para mim, é um retrocesso”, opinou.

Sobre o aumento no número de casos de covid nas últimas semanas, o ex-secretário disse que as campanhas eleitorais pelo Brasil contribuíram para o crescente número de registros da doença. “Essas aglomerações pequenas, elas prestam um papel muito mais importante na transmissão que ônibus lotado. É impressionante como esses episódios estão cobrando o preço. Nós relaxamos no cuidado e agora está vindo a conta.”

Confira a entrevista na íntegra:

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