Covid-19: Pior cepa possível é a má gestão da epidemia, diz epidemiologista da Fiocruz sobre Bolsonaro

Especialista critica negacionismo da gravidade da covid-19

CORONAVÍRUS
Covid-19: Pior cepa possível é a má gestão da epidemia, diz epidemiologista da Fiocruz sobre Bolsonaro

Jesem Orellana ainda criticou as recentes declarações feitas pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello - Foto: AMAZÔNIA REAL

 

O epidemiologista da Fiocruz Amazonas, Jesem Orellana, afirma que a má gestão da pandemia da covid-19 e o negacionismo de autoridades políticas, como o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foram um dos principais motivos para que o país esteja sendo duramente afetado pelo novo coronavírus.

“Sabemos que o presidente Jair Messias Bolsonaro foi um dos principais vetores da disseminação viral. Nós estamos falando de cepas que ajudam o vírus circular, mas a pior cepa possível é a má gestão da epidemia. E, nesse quesito, não tenho nenhuma dúvida de que o presidente teve uma participação negativa e importante (...) O que está acontecendo no Brasil poderia ter sido plenamente evitado”, desabafou o especialista.  

 

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Jesem Orellana ainda criticou as recentes declarações feitas pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. “O ministro Pazuello fez uma declaração, em Manaus, dizendo que tem um protocolo para o tratamento precoce, dizendo que os testes para diagnóstico da covid não são tão importantes. Ouvir esse tipo de declaração de um ministro da Saúde é algo que nos deixa desapontados e sem referência. Ao lado do presidente da República, ele deveria ser uma das figuras que deveria assumir o protagonismo de levar informação correta à população, e não fake news”, afirmou.

Situação de Manaus preocupa

Em Manaus, capital do estado do Amazonas, os casos de infecção e de mortes pela covid-19 dispararam no final de dezembro de 2020 e neste início de 2021. A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), informou, nesta segunda-feira (11), o diagnóstico de 2.151 novos casos de covid-19, totalizando 216.112 casos da doença no estado.

De acordo com o boletim, foram confirmados 55 óbitos por Covid-19, sendo 34 ocorridos no domingo (10/01) e 21 encerrados por critérios clínicos, de imagem, clínico-epidemiológico ou laboratorial, elevando para 5.756 o total de mortes.

Na capital, de acordo com dados da Prefeitura de Manaus, no domingo, foram registrados 62 sepultamentos por Covid-19.

“O caso de Manaus é o mais dramático de todos. Você tem filas de espera para leitos clínicos, de UTI, pessoas morrendo em casa. Está faltando até oxigênio nos hospitais de Manaus. É uma situação realmente caótica, e, para piorar, ainda temos vestígios da circulação de uma variante até então não identificada no Amazonas”, contou o epidemiologista da Fiocruz.

Nova cepa em investigação 

O Ministério da Saúde do Japão divulgou, no domingo (10), ter detectado uma nova variante do coronavírus em quatro viajantes que estiveram no Brasil, no estado do Amazonas, e retornaram ao Japão em 2 de janeiro. A informação foi confirmada pelo Ministério da Saúde brasileiro, que disse ter sido notificado no sábado (9) pelo governo japonês.

O especialista reforça que as mutações são esperadas, e essas mudanças podem tornar o vírus mais ou menos infeccioso ou danoso à saúde. “Essas informações precisam ser confirmadas, mas eu diria que é provável que nós estejamos com uma nova cepa que se dispersa mais rápido no ambiente circulando em Manaus, porque o aumento das taxas de infecção, e sobretudo da mortalidade no final de dezembro, foi muito abrupto e inesperado. Somente um fator como esse poderia nos ajudar a entender uma aceleração tão rápida como essa”, disse.

No entanto, Jesem Orellana voltou a criticar a má gestão como um dos fatores para a situação caótica. “A gente não pode atribuir, única e exclusivamente, essa tragédia a essa possível nova cepa. Nós sabemos que, na verdade, o grande problema de Manaus e do estado do Amazonas é de gestão na epidemia. Nós falhamos na primeira onda, falhamos na segunda onda e, infelizmente, estamos mergulhados nessa crise. A população também não contribuiu, muito em função do que temos visto desde o início da epidemia: a minimização da crise por diferentes atores políticos, por parte de personalidades do mundo artístico e empresários, que levaram muitas pessoas a acreditar que o novo coronavírus é inofensivo”, comentou.

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