Pandemia do novo coronavírus

Vacina que vem da Índia é segura? Qual a eficácia? Tem efeito colateral? Veja o que já se sabe sobre o imunizante


Dois milhões de doses da vacina produzida na Índia devem chegar ao Brasil nesta sexta-feira (22). Fórmula foi criada pela Universidade de Oxford

Gabriel dos Santos Araujo Dias
Gabriel dos Santos Araujo Dias
Publicado em 14/01/2021 às 12:51
Fernando Frazão/Agência Brasil
FOTO: Fernando Frazão/Agência Brasil
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O Brasil deve receber, nesta sexta-feira (22), dois milhões de doses da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. O lote foi produzido pela farmacêutica indiana Serum e chega ao país, vindo da Índia, após atraso de quase uma semana. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já autorizou o uso emergencial do fabricante e, portanto, após chegar em solo brasileiro, o imunizante deve ser enviado aos estados em poucos dias ou horas. Mas como é que funciona esta vacina? A vacina é segura? Qual a eficácia desta fórmula? A vacina tem efeitos colaterais? Nesta reportagem, reunimos as principais informações sobre o que já se sabe sobre a vacina que vem da Índia para o Brasil.

Veja o que já se sabe sobre a vacina que vem da Índia

  • Quando a vacina chega ao Brasil?

O governo indiano autorizou a exportação das vacinas. De acordo com o Ministério da Saúde, as doses chegam ao Brasil no final da tarde desta sexta-feira (22). O lote será trazido em voo comercial da companhia aérea Emirates. O voo chega ao Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Após os trâmites alfandegários, ainda segundo o Ministério da Saúde, as doses serão transportadas por um avião da Azul Linhas Aéreas até o aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro.

Inicialmente, o governo informou que o voo vindo da Índia chegaria no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, no último sábado (16). No entanto, o avião que partiria do Recife na noite da quinta-feira (14) para buscar as doses teve o voo adiado.

  • Quando a vacina poderá ser aplicada?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já autorizou o uso emergencial do imunizante desde o último domingo (17). Por isso, a expectativa é que, poucos dias ou horas após o desembarque no Brasil, as vacinas já possam seguir para os Estados. Antes, será necessário apenas um pente fino na bagagem e aplicação de instruções em português nos lotes. A checagem da qualidade do produto será feita pela Fundação Oswaldo Cruz, que fez a encomenda.

  • Quem produziu esta vacina?

A fórmula da vacina foi desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. A produção foi realizada pelo laboratório indiano Serum, e a importação foi autorizada pelo governo indiano esta semana.

  • A vacina é segura?

De acordo com cientistas, sim. Nos estudos da fase 3, foram avaliados exames em 11.636 voluntários que participaram da pesquisa, de acordo com o G1. Brasileiros, inclusive, também participaram dos testes, que também contou com voluntários de moradores do Reino Unido. Nos resultados da fase 2 da pesquisa, que foram publicados na revista The Lancet, uma das mais renomadas revistas científicas do mundo, os pesquisadores identificam “forte resposta imune” em idosos.

  • A vacina é eficaz?

Sim. A vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford tem eficácia média de 70,4%, de acordo com a última fase da pesquisa, que foi publicada na The Lancet. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), para ser considerada segura, uma vacina precisa ter pelo menos 50% de eficácia.

  • Quantas doses precisam ser aplicadas?

Para garantir a maior eficácia, a AstraZeneca indica duas doses com um intervalo de duas semanas entre as duas aplicações.

  • A vacina causa efeitos colaterais?

Até este momento, os principais efeitos colaterais relatados são leves dores no braço que recebeu a aplicação, febre e dor de cabeça. Nenhum efeito colateral grave, como óbito, foi relatado.

  • Quantas doses da vacina de Oxford devem ser usadas no Brasil?

Além dos dois milhões de frascos que vão vir da Índia, o plano divulgado pelo ministro Eduardo Pazuello aponta que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deve produzir 100,4 milhões de doses ainda neste primeiro semestre de 2021 e mais 100 milhões de doses no segundo semestre. Há ainda, de acordo com o G1, a previsão do recebimento de mais 42,4 milhões de doses de um consórcio firmado pela OMS para garantir vacinas para todos os países.


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