Pandemia do novo coronavírus

Com taxa atual de isolamento, vírus se espalha de maneira muito agressiva, diz cientista do Instituto para Redução de Riscos e Desastres


No final de semana, fiscalização encontrou festas e aglomerações em vários lugares de Pernambuco. Taxa ideal de isolamento social é de 70%

Gabriel dos Santos Araujo Dias
Gabriel dos Santos Araujo Dias
Publicado em 15/03/2021 às 10:39
JC
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Em entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, o cientista do Instituto para Redução de Riscos e Desastres, Jones Albuquerque, disse que as ações da Secretaria de Saúde são “destruídas” por aglomerações e festas. O especialista reforçou que é necessário aumentar o índice de isolamento social no Estado para reduzir a transmissão do novo coronavírus. Jones também demonstrou que os índices de isolamento registrados no final de semana ainda são insuficientes.

“As ações da Secretaria de Saúde de aumentar o distanciamento e de tentar melhorar os leitos de atendimento são completamente destruídas quando as pessoas fazem festas. É impressionante como perdemos a capacidade cognitiva de perceber a realidade que estamos. Os índices de mobilidade, percebemos que teve uma queda discreta, mas ainda é muito alta. E o vírus adora isso”, comentou na entrevista.

Convidado a fazer uma análise sobre os dados da In Loco, que registrou isolamento de 50,9% no domingo (15) em Pernambuco, o cientista explicou que ela não é completamente precisa e que o índice de isolamento precisa aumentar. “Esses índices medidos são tecnológicos. Se você atravessar a rua e for na padaria, o índice considera que você está em casa. Então, esse índice, na essência, é dividido por três. A gente deveria alcançar 70% de isolamento de verdade”, disse. Na sexta-feira (12), sem restrições das 5h às 20h, Pernambuco chegou a 33% de isolamento social.

O cientista disse que com isolamento de 50%, o vírus ainda circula de forma muito agressiva. “Significa que metade da população está espalhando o vírus. Isso não é efetivo. Qualquer modelo matemático vai mostrar que a doença vai seguir se espalhando de maneira muito agressiva”, afirmou. “A gente não garante que é a mesma metade que está ficando em casa no sábado e no domingo. Se as metades se invertem, o vírus segue 100% em circulação”, frisou.

Confira a entrevista na íntegra:


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