Pandemia do novo coronavírus

CPI: Governo de Bolsonaro recusou 11 ofertas de vendas de vacinas contra covid-19


Número de ofertas negadas pode subir durante investigações da CPI que apura a conduta de Bolsonaro no controle da pandemia

Gabriel dos Santos Araujo Dias
Gabriel dos Santos Araujo Dias
Publicado em 27/04/2021 às 12:25
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O governo do presidente Jair Bolsonaro recusou 11 vezes compras de vacinas contra a covid-19. De acordo com o colunista do G1 Octávio Guedes, o número leva em consideração episódios com comprovação de documentos. Segundo Guedes, os membros que vão compor a CPI já têm conhecimento desses fatos.

Para recusar a compra das vacinas, o governo sempre ignorou as propostas de venda, segundo explicação do G1. O número pode crescer durante as investigações da CPI, que deve ser instalada pelo Senado nesta terça-feira (27). Um dos objetivos da comissão é justamente entender o número de vezes que o governo recusou-se a comprar a vacina.

Butantan

Das recusas de que já se tem conhecimento, seis foram referentes à CoronaVac, desenvolvida pela SinoVac em parceria com o Butantan.

Segundo o G1, há três ofícios assinados pelo diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, oferecendo a fórmula. Os dois primeiros documentos foram enviados em 30 de julho e em 18 de agosto. O terceiro foi entregue pessoalmente pelo diretor ao então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no dia 7 de outubro. Todos ficaram sem resposta.

Os documentos já foram separados pelo Butantan e devem ser apresentados à CPI, de acordo com Octávio Guedes.

Pfizer

Outras três ofertas foram feitas pela Pfizer. A primeira em agosto do ano passado. Na ocasião, a farmacêutica colocou 70 milhões de doses à disposição para serem entregues em dezembro do ano passado.

Outros dois convites para que o Brasil adquirisse o imunizante foram confirmados pela Pfizer, mas as ofertas também foram ignoradas.

Covax Facility

Por duas vezes, o Brasil também se recusou a integrar o consórcio da Covax Facility, da Organização Mundial das Nações Unidas. Segundo a OMS, Bolsonaro só aceitou a adesão no terceiro convite para aquisição de 212 milhões de doses.

O Ministério das Relações Exteriores, comandado à época por Ernesto Araújo, acreditava que o consórcio era globalista e, portanto, nocivo ao Brasil. A quantidade de doses do imunizante também foi reduzido a pedido do próprio governo de Jair Bolsonaro.


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