BRASIL

Como evitar apagão no Brasil? Ex-ministro de Minas e Energia diz que governo precisa 'dar a cara à tapa' e reconhecer gravidade


José Jorge conversou com a Rádio Jornal, nesta terça-feira (31), e falou sobre o risco de o Brasil enfrentar um novo apagão

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 31/08/2021 às 11:25
Antonio Cruz/ Agência Brasil
FOTO: Antonio Cruz/ Agência Brasil
Leitura:

Em entrevista à Rádio Jornal, nesta terça-feira (31), José Jorge, ex-ministro de Minas e Energia, voltou a alertar para o risco iminente de o Brasil sofrer novamente com racionamento de energia e apagão. Segundo ele, o Governo Federal precisa reconhecer a gravidade da situação e "dar a cara à tapa".

“O nosso sistema termoelétrico é muito hidroelétrico, o que significa que depende de água. Se o sistema não gera água, não tem chuvas, esses reservatórios ficam vazios e no período em que não é para chover não vai chover. Então, você tem que prever algum tipo de medida”, explicou.

Sabendo da dependência de água para gerar energia no Brasil, o ex-ministro afirma que é importante minimizar os riscos de apagões. “Enquanto formos 60%, 70% [dependentes de] hidroelétricas vamos sempre enfrentar o risco de não haver chuvas. O que temos é que minimizar esse risco. E quando tiver uma situação ruim, você tem que enfrentar logo (...) Essas medidas de pedir para pessoas economizarem, na prática, não funcionam. As pessoas nem lembram. Tem que agir com agilidade, reconhecer e dar a cara à tapa”, completou.

Governo está demorando para reagir à situação

José Jorge ministro de Minas e Energia entre 13 de março de 2001 a 8 de março de 2002, época em que o país passou por um forte racionamento de energia. Segundo ele, o enfrentamento ao problema requer várias medidas, no entanto, é preciso agilizar a reação.

>> Quanto custa a telha solar em concreto da Eternit? Conheça o 1º produto do tipo a ser vendido no Brasil

O ministro lembrou que, à época em que estava no Ministério de Minas e Energia, as medidas começaram a ser articuladas já em março, com a criação de uma comissão. “Já estamos em setembro e não foi tomada nenhuma medida mais objetiva. Quanto mais demorar, pior a situação vai ficar”, disse. “O governo tem que reconhecer que a situação é grave. Uma coisa é você ter o racionamento, e você vai diminuindo o consumo de energia, outra coisa é sofrer um apagão, que a energia cai de uma vez só”, completou.

Alternativas

Para encarar a situação e garantir o abastecimento de energia da população, José Jorge aponta que é importante investir em outras fontes. “Não tenho dúvidas de que esse será o caminho, [o uso de] energia solar e eólica, no médio e longo prazo. Mas acontece que, no curto prazo, essas energias, principalmente a solar, ainda trabalham com usinas relativamente pequenas em relação à demanda do Brasil. Você tem que investir na energia solar, eólica, continuar investindo na energia hidroelétrica e ter como garantia as energias térmicas, principalmente a gás, que tem uma poluição menor”, disse.

Apesar de ter um custo mais alto, para o momento atual, a energia térmica é a mais viável. “Se for tentar resolver esse problema de curto prazo através de energia eólica ou solar, você não vai conseguir. O que precisa agora é de garantia e o que dá garantia agora é a térmica, que você liga e desliga na hora que quer e pode ser implantada rapidamente”, avaliou, explicando que o tempo para implantação de energia térmica é de aproximadamente um ano, enquanto as outras demoram cerca de cinco anos.


Mais Lidas