Prevenção

O Brasil não está preparado para tsunami, mas risco é baixo: Entenda a situação do vulcão Cumbre nas Ilhas Canárias, que estava adormecido e está reativando

Geólogo afirma que país não está preparado para qualquer tipo de tsunami, mas não há motivo para pânico, pois riscos são baixos

Com informações do SBT
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Publicado em 17/09/2021 às 9:49
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O governo das Ilhas Canárias alterou para amarelo o nível de alerta para a atividade do vulcão Cumbre Vieja, na ilha de La Palma. Desde então, o assunto ficou muito popular no Brasil, após especialistas alertarem que uma erupção no vulcão poderia provocar um tsunami que atingiria a costa, em especial, a região Nordeste.

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Atividade do vulcão

Com o aumento na atividade sísmica, o governo ativou o Plano Especial de Proteção Civil e Atenção às Emergências de Risco Vulcânico (Pevolca). A Pevolca estabelece um semáforo vulcânico como sistema de alerta à população baseado em quatro cores dependendo do risco. O nível amarelo é capaz de intensificar as informações à população, as medidas de vigilância e monitoramento da atividade vulcânica e sísmica.

Em reunião do Governo com Comitê Científico, foi informado que, desde 2017, uma atividade sísmica anômala foi registrada no sul da ilha de La Palma. Essa atividade, desde o verão de 2020, aumentou, com a ocorrência de 8 enxames sísmicos.

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Além disso, o monitoramento do fenômeno foi ampliado e qualquer mudança significativa será comunicada. A população deve ficar atenta às informações prestadas pelas autoridades de Proteção Civil. O vulcão Cumbre Vieja está adormecido há décadas e começou a dar sinais de atividade moderada, nos últimos dias.

"O governo ativa o #PEVOLCA na área de Cumbre Vieja #LAPALMA para monitorar a atividade sísmica" , escreveu o Governo das Canárias em seu perfil no Twitter:

 

A Associação de Vulcões de Canaria também se pronunciou sobre o fenômeno. "Atualização da atividade vulcânica de La Palma. O IGN @IGNSpain @IGN_Sismologia gerou esta imagem de deformação do solo. Ele subiu 6 cm em algumas áreas do sudoeste da ilha. Este processo já foi vivenciado em El Hierro. É normal em um processo de reativação vulcânica", disse a Associação em suas redes sociais.

 

Brasil não está preparado para tsunamis

Em 2017, um trabalho da Universidade Federal do Paraná (UFPR), conduzido pelo geólogo Mauro Gustavo Reese, alertou para os efeitos, na costa brasileira, dos processos vulcânicos e dos movimentos de massa na Ilha de La Palma. O especialista afirma que o Brasil não está preparado para qualquer tipo de tsunami, e que é necessário que o país tome medidas preventivas quanto ao evento. No estudo, o geólogo aponta os estados do Norte e Nordeste como os mais afetados.

"Os danos resultantes das ondas na costa brasileira seriam grandes, devido ao despreparo do país. Todo o ambiente costeiro seria afetado, perdas humanas ocorreriam, perdas materiais, e prejudicariam o turismo nas regiões. A devastação causada seria o primeiro impacto para a população, isso somado ao despreparo e falta de agilidade do país, resultaria em meses para a recuperação dos danos na infraestrutura", analisou Reese, ressalvando, porém, "que as chances de ocorrência são remotas e longínquas".

Nível amarelo

Devido a alterações em suas atividades sísmicas, detectadas no último sábado (11), foi acendido o alerta amarelo de risco de erupção. Apesar de o cenário causar medo, o nível "amarelo" de risco é o segundo, em uma escala de quatro. Assim, ele revela ainda uma possibilidade pequena de erupção.

Simulação

Na simulação de erupção explosiva feita por Steven Ward e Simon Day, há 20 anos, a área de impacto de 250 km de diâmetro seria capaz de produzir tsunamis em diversas direções e "várias ondas de centenas de metros de altura atingiriam as costas das três ilhas mais a oeste da cadeia das Canárias." De acordo com a pesquisa, em apenas 15 a 60 minutos, as Ilhas Canárias seriam atingidas por ondas de 50 a 100 metros de altura.

Já no Brasil, em até nove horas, essas ondas chegariam. "As vanguardas do tsunami (10 m) atingiriam, inicialmente, a América do Norte. Simultaneamente, ondas maiores (15-20 m) chegariam à costa norte da América do Sul. Nossos modelos de computador preveem que as ondas do tsunami, de 10 a 25 m de altura, serão sentidas em distâncias transoceânica, abrangendo a maior parte da bacia do Atlântico", disseram.

'Não há motivo para pânico'

A possibilidade de um tsunami atingir o Nordeste do Brasil tem deixado muita gente preocupada. Dúvidas sobre as áreas que poderiam ser atingidas e suas possíveis consequências começaram a surgir. A professora Tereza Araújo, do Departamento de Oceanografia, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), explicou que existe uma possibilidade, mas bem pequena, sem motivo para pânico. "O vulcão ter registrado atividade não significa que ele de fato vá entrar em erupção, nem que irá um tsunami que irá atingir o Brasil", acrescentou.

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O que é um tsunami?

O tsunami, que provoca ondas gigantes, é um fenômeno que pode atingir, em média, uma altura de 150 metros, que irá variar de acordo com a intensidade. Elas podem percorrer milhares de quilômetros, atingindo velocidade de, aproximadamente, 700km/h. O tsunami é mais comum em áreas com instabilidade tectônica.

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À reportagem do JC, a professora explicou que, na maioria das vezes, o tsunami acontece em decorrência de um terremoto, que libera muita energia de uma vez, que pode se propagar e só perder a energia quando chega à costa. No entanto, é importante lembrar que nem todo terremoto gera uma onda gigante.

"A probabilidade de um tsunami ocorrer em decorrência de um terremoto é bem maior que a de um vulcão, mas não é motivo para medo. Tremores de terra foram constatados em Natal e Fortaleza, recentemente, e nenhum deles provocou ondas gigantes", completou a professora.

O que esperar?

O Brasil está posicionado no centro de uma placa tectônica, a sul-américa, isso faz com que em seu território quase não haja perigo de atividades decorrentes de abalos sísmicos (tsunamis ocorrem, geralmente, por causa de terremotos).

No entanto, uma erupção vulcânica no Cumbre Veija - considerada difícil de acontecer - poderia colocar em risco essa estabilidade. Por isso, especialistas alertam para que a população fique atenta e vigilante ao monitoramento da atividade vulcânica e sísmica.

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