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Tsunami no Brasil causado por vulcão nas Ilhas Canárias: entenda por que não há motivo para pânico e últimas notícias


Vulcão está localizado a milhares de quilômetros da costa brasileira e, mesmo que entre em erupção, pode não causar tsunami

Gabriel dos Santos Araujo Dias
Gabriel dos Santos Araujo Dias
Publicado em 17/09/2021 às 7:05
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Atualização: Vulcão entrou em erupção neste domingo, mas não há alerta de tsunami. Veja últimas notícias clicando aqui.

Desde a última quinta-feira (16), a informação de que autoridades espanholas emitiram um alerta amarelo para a possibilidade de erupção de um vulcão na costa africana causou preocupação e, rapidamente, especulações, informações imprecisas e fake news se espalharam pelas redes sociais. Apesar de ser verdade que um estudo publicado em 2001 previu a chance de uma erupção desse vulcão provocar um tsunami que atinja as Américas, para que o fenômeno aconteça, são necessários vários fatores combinados. E, mesmo assim, na remota possibilidade de um tsunami se formar a partir do movimento do vulcão, as ondas que chegariam ao Brasil não seriam tão altas quanto o imaginário fértil de muitos internautas tem desenhado.

Especialistas acreditam que os estragos seriam muito mais visíveis nas ilhas que integram o arquipélago das Canárias (do qual faz parte a ilha de La Palma, onde o vulcão Cumbre Vieja está fincado) e na África. Para se ter ideia, segundo o G1, o vulcão está a apenas 100 quilômetros de distância do Marrocos, país que fica no norte do continente africano.

De acordo com especialistas, o tsunami só se formaria se a erupção do vulcão fosse do tipo "explosiva", que é o mais intenso nível de erupção existente. Segundo a pesquisa de Steven Ward, do Instituto de Geofísica da University of Califórnia (Estados Unidos), e Simon Day, do Departamento de Ciências Geológicas da University College, de Londres (Inglaterra), em havendo o tsunami, ondas de até 100 metros poderiam atingir a África em, no máximo, 1 hora, conforme apuração do portal UOL.

Vulcão na Espnha
Vulcão na África.
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Por outro lado, este mesmo vulcão está a mais de 4.460 quilômetros de São Luís, no Maranhão. A distância faz com que, na rara possibilidade do tsunami acontecer, as ondas chegarem com muito menos força ao nosso país. Segundo a análise, as ondas demorariam 9 horas para tocar o Brasil.

Não há certeza de que haverá erupção. Portanto, calma!

Ouvido pelo UOL, o pesquisador do Instituto de Ciências do Mar, da UFC (Universidade Federal do Ceará) Carlos Teixeira explicou que o alerta amarelo pode durar anos. "O vulcão não vai ter uma erupção amanhã. A gente só tem que fazer o plano porque existe um risco; ele é mínimo, mas tem saber o que fazer", comentou.

"Ele pode ficar em nível de alerta por diversos anos. Não é tipo 'entrou no dois, amanhã entra no três e depois entra no quatro'. Não! Ele pode ficar para o resto da vida nesse dois e não ter uma erupção", esclareceu o professor.

O que é um tsunami e como ele ocorre?

Com elevado potencial de destruição, os tsunamis são ondas gigantes formadas nos oceanos que acontecem em decorrência de abalos sísmicos, e outros fatores associados ao tectonismo, que são movimentos decorrentes de pressões vindas do interior da Terra, agindo na crosta terrestre. Além disso, causas externas como queda de meteoritos também podem causar tsunamis.

Essas ondas gigantes se deslocam em direção à costa em alta velocidade e têm comprimento entre 100 km e 500 km. Ao se aproximar da costa, os tsunamis perdem velocidade, mas ganham altura e atingem de 30 m a 40 m. Entenda por que acontecem tantos tsunamis no Japão e as consequências práticas desse desastre, clicando aqui.

Quais foram os piores tsunamis da história?

O Círculo de Fogo, no oceano Pacífico, é a região do planeta mais suscetível à ocorrência de tsunamis, uma vez que consiste na área de maior instabilidade tectônica da Terra. No entanto, o fenômeno não se restringe somente a essa área. Conheça os 10 piores tsunamis já registrados.

Sumatra (Indonésia), 2004: causado por um terremoto de magnitude 9.1, que gerou ondas de 50 metros de altura. Um total de 230 mil pessoas perderam suas vidas.

Fukushima (Japão), 2011: gerado pelo pior terremoto da história do Japão, de magnitude 9.1. As ondas que atingiram a costa japonesa chegaram a 10 metros de altura. Algumas fontes mencionam ondas de até 15 metros. Entre suas consequências estão o acidente nuclear de Fukushima e 18.000 vítimas entre mortos e desaparecidos.

Lisboa (Portugal), 1755: causado por um terremoto que gerou ondas de 30 metros. Cerca de 60 mil pessoas morreram no país e também na Espanha e no Marrocos.

Krakatoa (Indonésia), 1883: ocasionado pela explosão da caldeira vulcânica do Anak Krakatoa, formando ondas de 37 metros. Considerando a erupção e a ação violenta das águas, 40 mil pessoas morreram.

Enshunada Sea (Japão), 1498: gerado por um terremoto, fez um total de 31 mil vítimas.

Nankaido (Japão), 1707: gerado por um terremoto, seguiram-se ondas de 25 metros. O número de vítimas foi 30 mil.

Sanriku (Japão), 1896: formado por um terremoto, as ondas chegaram a 38 metros. Um total de 22 mil pessoas foram vítimas no Japão, e outras quatro mil na costa leste chinesa.

Arica, 1868: na época a província pertencia ao Peru, mas hoje integra o território chileno. O tsunami, com ondas de 21 metros, foi causado por terremotos. Fez 21 mil vítimas e reverberou por outros países, como a Austrália.

Ilhas Ryukyu (Japão), 1771: gerado por terremoto e vitimou cerca de 12 mil pessoas. As ondas ultrapassaram 10 metros.

Baía de Ise (Japão), 1586: terremoto seguido por ondas de seis metros. Fez oito mil vítimas.


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