ECONOMIA

“Coronavírus mata à vista, o desemprego a prazo”, diz economista sobre volta ao trabalho

Roberto Dumas criticou a demora do Governo Federal em concretizar ações econômicas de combate ao coronavírus

Publicado em 02/04/2020 às 11:49
Agência Brasil
FOTO: Agência Brasil
Leitura:

Em entrevista ao Passando a Limpo desta quinta-feira (2), o economista Roberto Dumas criticou a demora do Governo Federal em concretizar as ações de combate aos efeitos da crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus.

"Está no caminho certo, mas um pouco demorado. A fome tem pressa. Existe no Brasil uma discussão de quem não é médico ou infectologista dizendo que temos que trabalhar. O coronavírus mata a vista, o desemprego também mata, só que mata a prazo. O economista não tem remédio para a morte das vítimas. Mas nós temos remédios para mortes a prazo, com política fiscal e expansionista”, disparou.

Segundo o especialista, os integrantes do governo ainda estão batendo cabeça. “Olha quanto tempo demorou para o coronavoucher ser aprovado? Eles estão batendo cabeça, com um jogando a bola para o outro. Ainda não sabem como vão distribuir essa renda. Tem que ser rápido. Precisamos de mais celeridade. Não adianta aprovar um voucher de R$ 600 e demorar um mês para distribuir. Decidiram agora, depois de tanto tempo, que pode suspender o trabalho e você vai receber o correspondente a essa redução do período de trabalho no salário-desemprego. Até aprovar isso já foram 10 dias”, disse Dumas.

Para o economista, o governo deve atuar junto às empresas para minimizar os danos econômicos. “Não tem como andar a economia agora, mas pelo menos manter as empresas no estado de sobrevivência. Se o governo não entrar ajudando as empresas, muitas delas vão morrer, porque o desemprego vai aumentar mais do que se imagina, a base de tributação cai e, consequentemente, o déficit do governo aumenta. Agora se o governo entrar, o déficit também aumenta. Porém, eles mantém as empresas viva. O déficit fiscal aumentar já é uma variável prevista. Então que mantenhamos pelo menos as empresas em estado de sobrevivência”, concluiu.

Ouça a entrevista na íntegra:

Mais Lidas