Pesquisa da UFPE investiga origem geográfica do vírus da covid-19 no estado

A pesquisa será realizada pela investigação do sequenciamento dos genomas das cepas de Sars-CoV-2, o novo coronavírus, causador da covid-19

PERNAMBUCO
Pesquisa da UFPE investiga origem geográfica do vírus da covid-19 no estado

Com o estudo, será possível indicar quais as cepas necessárias para o desenvolvimento da vacina - Foto: Pixabay

Os pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) iniciaram um estudo para determinar a origem geográfica do vírus da covid-19, no estado. A pesquisa será realizada pela investigação do sequenciamento dos genomas das cepas de Sars-CoV-2, o novo coronavírus, que provoca a doença.

Dessa forma, será possível descobrir de onde vem cada cepa do vírus que circula em Pernambuco. As cepas correspondem às mutações morfológicas sofridas pelo micro-organismo. O coordenador do projeto e professor, Valdir de Queiroz Balbino, dá mais detalhes sobre esse sequenciamento. “O sequenciamento do material genético de cepas do Sars-CoV-2 permite que sejam obtidas informações acerca da estruturação do seu genoma, sendo essa uma etapa essencial para compreensão de quais foram os eventos mutacionais sofridos por esse patógeno e de que modo contribuíram para a sua alta transmissibilidade. A partir da determinação das sequências genômicas também é possível especular acerca das prováveis origens do vírus. Sabe-se, por exemplo, que ele apresenta altos níveis de similaridade com o coronavírus que circula entre espécies de morcegos. Também é possível realizar comparações entre os genomas de cepas isoladas em diferentes localidades do mundo, permitindo inferir sobre de que forma ocorreu a disseminação da doença”, disse.

Vacina 

Com o estudo, será possível indicar quais as cepas necessárias para o desenvolvimento da vacina. “Também é foco desse tipo de análise avaliar os níveis de variabilidade genética observadas nas cepas circulantes em todo o mundo. Essa informação é fundamental para, por exemplo, se determinar quais são as regiões do genoma mais indicadas para o desenvolvimento de vacinas, assumindo-se a condição de que quanto mais conservada for a região genômica melhores serão as condições para o desenvolvimento de vacinas de cobertura global”, explicou o professor.

O equipamento responsável pela pesquisa é o modelo Miseq Illumina, que foi adquirido pela UFPE e vai ser utilizado no sequenciamento genético do novo coronavírus. Será permitido que os grupos conduzam projetos e façam monitoramento epidemiológico.

Foram coletadas amostras do vírus no Recife e em Caruaru. Em outro momento, outros municípios também entrarão na pesquisa, para que se possa obter um melhor resultado. O pesquisador Valdir de Queiroz explica como é o procedimento do sequenciamento genético.  “Para o sequenciamento precisa-se, inicialmente, ter o material genético que no caso do Sars-CoV-2 é RNA e o método utilizado para essa etapa é o mesmo que é empregado para detecção da presença do vírus através da técnica de PCR em tempo real. Uma vez extraído, o material genético é amplificado através de métodos específicos para o Sars-CoV-2 e utilizado para a preparação de bibliotecas. Uma vez produzidas, essas bibliotecas são sequenciadas até que se consigam obter níveis de cobertura e de qualidade suficientes de até cinco mil vezes o tamanho do genoma viral para garantir que todos os segmentos genômicos foram devidamente representados. E, finalmente, quando as sequências são produzidas elas são analisadas resultando em dados que podem ser comparados entre si”, apontou.

Com a realização do projeto, a UFPE será referência regional no sequenciamento do Sars-CoV-2.

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