Cepa indiana: Entenda por que variante do novo coronavírus nascida na Índia é tão perigosa

Cepa indiana do novo coronavírus foi identificada no Brasil nesta quinta-feira (20); governo federal determinou que voos vindos na Índia não podem pousar no país

PANDEMIA DO NOVO CORONAVíRUS
Cepa indiana: Entenda por que variante do novo coronavírus nascida na Índia é tão perigosa

Dados apresentaram 13 novos casos nas últimas 24h - Foto: Reprodução/NE10 Interior

Atualizada às 19h17

A variante B.1.617 do novo coronavírus nasceu na Índia e é considerada um risco para todo o mundo. Nesta quinta-feira (20), o governo do Maranhão confirmou o primeiro caso da cepa indiana, o que preocupa pela possibilidade da variante se espalhar pelo país. Na semana passada, o governo federal já havia acatado uma recomendação da Anvisa e proibiu o pouso de voos vindos da Índia. Mas por que ela é tão perigosa?

A cepa indiana tem três versões: a B.1.617.1, a B.1.617.2 e a B.1.617.3. Todas têm pequenas diferenças entre si. Nos laboratórios, pesquisadores identificaram que elas têm mutações importantes nos genes que codificam a espícula, como é chamada a proteína que fica localizada na superfície do vírus e que é a responsável por se conectar aos receptores das células humanas, dando início à infecção.

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Entre essas mutações, uma chamada de “P681R” representa a maior preocupação. Na prática, não se sabe o que ela pode representar. Recentemente, a Índia enfrentou uma grave onda do novo coronavírus, com milhares de mortes. Existe a suspeita de que esta variante pode ter tido relação com o novo surto. Ainda não se sabe, por exemplo, se essa cepa indiana é mais transmissível, mortal ou se, no pior cenário, ela é resistente às vacinas já desenvolvidas e aplicadas na população.

"Essas mutações virais estão surgindo em cidades em que há o relaxamento das medidas de proteção e onde se acreditava que a população já estava imunizada, seja pela infecção natural ou pela vacinação", disse o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul, ao G1.

Ou seja, é possível que essa nova variante tenha um “aprimoramento genético” que lhe permite uma maior capacidade de transmissão, invadindo o organismo do ser humano com maior facilidade.

Os especialistas explicam que, desta forma, se anteriormente, para ficar doente era necessário uma quantidade alta de vírus, agora, com uma carga viral muito mais baixa, já é possível sofrer a contaminação. 

"É como se o vírus criasse caminhos para escapar do sistema imune e desenvolvesse maneiras de transmissão mais eficazes", complementa Spilki. 

Cepa indiana

A cepa indiana já foi identificada em pelo menos 44 países, além do Brasil. No Reino Unido, houve uma subida muito forte da variante, o que ameaça a reabertura normal das atividades comerciais. 

Ainda não se sabe também se essa nova variante pode ser responsável por mais casos de agravamento da covid-19.

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