SEGURANÇA

OAB-PE sugere uso de câmeras acopladas aos uniformes dos PMs de Pernambuco


Policiais Militares avançaram contra manifestantes em ato no centro do Recife e atiraram contra os olhos de duas pessoas, que perderam a visão

Ísis Lima
Ísis Lima
Publicado em 11/06/2021 às 18:50
Bruno Campos/ JC Imagem
FOTO: Bruno Campos/ JC Imagem
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A Ordem dos Advogados de Pernambuco (OAB-PE) sugeriu que policiais militares de Pernambuco utilizem câmeras nos uniformes, acopladas aos coletes, a fim de coibir e evitar possíveis excessos praticados pelos PMs. A recomendação foi feito em um ofício enviado à Secretaria de Defesa Social do Estado, nesta quinta-feira (10). Em São Paulo, a medida já é utilizada.

Segundo a OAB-PE, as medidas, propostas através de uma iniciativa da Comissão de Direitos Humanos da seccional, visam aumentar a transparência das ações executadas por parte da PM no Estado, após atos de violência gerados contra manifestantes, durante protesto no dia 29 de maio, no Centro do Recife.

>> Veja documento que dá detalhes e nome de quem teria dado ordem para polícia agir em protesto contra Bolsonaro no Recife

Na ocasião, dois homens foram atingidos nos olhos, perdendo parte da visão, após a PM fazer uso de balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, sem a devida cautela. Além disso, a advogada e vereadora do Recife, Liane Cirne, foi agredida com spray de pimenta por policiais durante o ato.

O presidente da OAB-PE, Bruno Baptista, acredita que exemplos como do estado de São Paulo precisam ser observados e podem, facilmente, serem replicados por outros estados. “Medidas como essas nos permitem aferir tanto situações de abuso contra as autoridades policiais, quanto possíveis excessos que possam ser por elas praticados, visando registrar com detalhe o desenvolvimento dessas operações. Tal providência, portanto, mostra-se necessária aqui em nosso Estado, para que cenas lamentáveis como a ocorrida no Centro do Recife, no dia 29 de maio, não se repitam”, disse.

29 de maio

No último sábado (29), manifestantes ocuparam as ruas do Recife para protestar contra o governo Bolsonaro. A manifestação ocorria de forma pacífica, mas policiais militares do Batalhão de Choque usaram spray de pimenta e balas de borracha para dispersar a multidão.

O adesivador Daniel Campelo da Silva, 51 anos, e o arrumador Jonas Correia de França, 29, foram atingidos no rosto por balas de borracha disparadas por policiais militares. Ambos tiveram lesões permanentes. Daniel, no olho esquerdo, e Jonas, no olho direito. Os dois seguem internados no Hospital da Restauração, no bairro do Derby, na área central da capital pernambucana.

Tanto Daniel Campelo quanto Jonas Correia não participavam do ato, mas foram atingidos quando passavam pelo Centro do Recife.

Além deles, outras pessoas também ficaram feridas no ato, foi o caso da vereadora Liane Cirne Lins (PT). De dentro da viatura, policiais dispararam spray de pimenta no rosto da vereadora, que, sob o efeito do gás, caiu no chão após a agressão. Ela prestou uma queixa crime contra os policiais.

Dezesseis policiais militares foram afastados das atividades após a ação violenta durante o protesto no Centro do Recife, segundo a SDS. Desse total, três são oficiais da PM e 13 são praças.

Na sexta-feira passada, 4 de junho, o delegado federal Antônio de Pádua entregou o cargo e não é mais o secretário de Defesa Social.

Também houve mudança no comando da Polícia Militar de Pernambuco. José Roberto de Santana tomou posse, há uma semana, em substituição ao coronel Vanildo Maranhão.


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