Bolsonaro Internado

OBSTRUÇÃO INTESTINAL: Entenda o que é suboclusão intestinal, a doença que hospitalizou Bolsonaro


Bolsonaro está internado em hospital particular de São Paulo com suspeita de Obstrução Intestinal

Gabriel dos Santos
Gabriel dos Santos
Publicado em 03/01/2022 às 8:21
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Presidente Jair Bolsonaro faz pronunciamento em rede nacional - FOTO: Reprodução do Youtube
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O presidente Jair Bolsonaro está internado em um hospital de São Paulo, com suspeita de obstrução intestinal. Por isso, muita gente tem procurado entender do que se trata uma obstrução intestinal. De acordo com os médicos, essa é uma situação que acontece quando há uma interrupção no funcionamento do intestino.

Nesse caso, há um bloqueio que impede a passagem de gases e fezes. Diversos fatores podem causar a obstrução, como inflamações, verminoses, tumores e efeitos de cirurgias. 

Quais os sintomas de obstrução intestinal?

Os principais sintomas de obstrução intestinal são inchaço, dor abdominal, náuseas, vômitos além de dificuldade e dor de evacuar as fezes. Ao chegar no hospital em Brasília em julho de 2021, quando teve outro quadro de obstrução intestinal, por exemplo, o presidente Bolsonaro reclamou que estava sentindo dores abdominais.

As causas da obstrução intestinal?

Em entrevista à CNN, o gastroenterologista André Augusto Pinto, cirurgião geral e bariátrico da Clínica Gastro ABC, disse que a obstrução intestinal pode ter várias causas. Algumas bastante comuns são tumores e pacientes com histórico de cirurgias no órgão. No caso do tumor, o crescimento do câncer pode comprimir as paredes internas do intestino e dificultar a passagem das fezes.

 

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No caso de cirurgias, os pacientes podem ter formação de aderências - tecido acumulado nas alças do intestino. "Quando você faz uma cirurgia, tira um pedaço do intestino, junta um pedaço com o outro, é um procedimento agressivo. Uma alça do intestino pode se juntar à outra, o que pode fazer com que o órgão não consiga contrair normalmente, levando à obstrução", explicou o especialista.

Diverticulite e a doença de Crohn (doenças inflamatórias), doenças parasitárias como as verminoses, além de hérnias e paralisias dos movimentos intestinais também podem causar o problema.

Soluços

Bolsonaro também reclamou em julho do ano passado de um soluço persistente, que durou mais de 10 dias, antes que ele procurasse ajuda médica. Médicos relataram que esse tipo de soluço tão demorado também podem estar relacionados a tumores ou uso de medicamentos. No caso do presidente, ele foi submetido recentemente a uma cirurgia de implante dentário.

Em entrevista ao IG, o médico disse que os soluços podem estar relacionados com a obstrução. "Podendo levar a soluços e também vômitos persistentes, além de dor e distensão abdominais".

Diagnóstico

O diagnóstico de obstrução intestinal é feito por meio de um exame de colonoscopia que captura imagens dos intestinos grosso e delgado. Outros exames como a endoscopia (que mostra a parte superior do sistema digestivo), tomografia e ressonância magnética também podem ajudar no diagnóstico dos problemas causadores da obstrução.

Tratamento

O tratamento depende do motivo do problema. Em casos leves, o tratamento clínico é uma opção. Nestes casos, jejum, hidratação são adotados além de medicamentos para distensão do intestino.

Em casos mais graves, o paciente é submetido a cirurgia. Em caso de câncer, além de cirurgia, o paciente também pode precisar de radioterapia e quimioterapia.

Para doenças inflamatórias - como a diverticulite - o tratamento envolve cirurgia e uso de analgésicos e antibióticos. No caso de origem parasitária, o paciente é medicado com anti-parasitários.

Pode matar?

De acordo com o médico André Augusto Pinto, os riscos de morte são pequenos. Em geral, segundo o especialista, o paciente evolui bem com o tratamento clínico. No entanto, em casos graves, a obstrução intestinal pode gerar lesões no intestino, infecção generalizada e necrose dos tecidos.

Segundo o médico, em caso de cirurgias, o paciente pode precisar de outras cirurgias no futuro. "Quanto mais você opera um paciente com aderências, maiores são as chances de surgimento de novas aderências, por conta de cirurgias que são realizadas de forma aberta e por cortes. Esses pacientes sempre têm mais chances de precisar de uma nova abordagem cirúrgica em curto ou longo espaço de tempo", afirmou.

Prevenção

"O ideal é evitar a obesidade, causa fundamental dos problemas do aparelho digestivo, como tumores. O tabagismo e etilismo [uso excessivo de álcool] também estão relacionados ao câncer de estômago", disse o médico.

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