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Psicologia em Movimento: 'entre dois amores' por Sylvio Ferreira


O psicólogo Sylvio Ferreira falou sobre um artigo, no qual, faz uma reflexão sobre o coração enganado ao acreditar que ama duas pessoas ao mesmo tempo

Publicado em 06/07/2017, às 01:47


Rádio Jornal

Foto: reprodução/internet

No quandro Psicologia em Movimento desta quarta (05), o professor Sylvio Ferreira trouxe para os ouvintes do programa um texto sobre o coração, mas não um simples coração, e sim, um que ama duas pessoas ao mesmo tempo ou que pelo menos acredita nisso. O Artigo data de 1997, quando foi publicado no Caderno Família do Jornal do Commercio.

Ouça Psicologia em Movimento na íntegra:

Entre dois amores

Por Sylvio Ferreira

"O coração dividido entre dois amores é um coração inquieto. Ele sabe muito bem o que não quer, mas não tem certeza de que encontrou o que procura. E essa falta de certeza faz com que os sentimentos oscilem tal qual um pêndulo, de um lado para o outro. O que leva o coração a balançar mais para um lado do que para o outro, na dependência da direção em que o pêndulo se move.

O coração acredita que ama, mas é difícil saber onde se encontra o verdadeiro amor. Enquanto não for capaz de descobrir quem verdadeiramente ama, o coração continuará a enganar a si próprio acreditando que ama duas pessoas ao mesmo tempo. Uma doce – e, muitas vezes, cômoda – ilusão essa. O amor é um sentimento único e exclusivo. E quem verdadeiramente ama não é acometido de nenhuma dúvida em relação aos seus sentimentos e para quem os mesmos encontram-se voltados.

Quando os sentimentos oscilam entre duas pessoas, existem outros sentimentos a habitar o coração, porém não o amor. O amor é certeza absoluta e o coração de quem ama não comporta dúvidas, tampouco vive em estado de inquietação. O que pode acontecer é uma pessoa sentir-se completa, em seus sentimentos e desejos, relacionando-se simultaneamente com duas pessoas.



Cada uma delas poderá, então, de diferentes modos, preencher as suas expectativas e necessidades. Contudo, onde existe amor não há lacunas a serem preenchidas. O amor é um sentimento que faz com que a pessoa se sinta plena, e, enquanto tal, preenche inteiramente a vida de alguém. Haja vista que o amor embora habite o coração, tem origem no imaginário. O que quer dizer que nada lhe falta e tudo lhe basta.

O que ocorre é que uma pessoa pode ser levada a confundir uma profunda necessidade sua de ser amada, por duas pessoas, com a possibilidade de, efetivamente, dividir o seu coração entre dois amores. O que representa uma avaliação ou julgamento equivocado da questão. O coração dividido apenas engana outros corações e a si mesmo. Acena com esperanças, quando lhe falta certeza. Ilude e é iludido. Vive encantado e envaidecido por ser amado por duas pessoas, ao mesmo tempo, e só.

Porém, pela própria natureza do amor, que requer exclusividade, o coração que se move entre dois amores não é capaz, no entanto, de amar quem diz que ama: nem uma única pessoa, menos ainda duas ao mesmo tempo. O coração dividido é um coração carente e insatisfeito. Procura o que lhe falta, mas não pode oferecer de – de forma sincera e honesta – o que mais gostaria: o amor pleno e verdadeiro para duas pessoas, que bem podem ter feito por onde merecê-lo."

Esse artigo foi originalmente publicado no Caderno Família do Jornal do Commercio, Recife, PE, em 9 de novembro e 1997.


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Psicologia em Movimento: 'entre dois amores' por Sylvio Ferreira



Publicado em 06/07/2017, às 01:47


Rádio Jornal

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No quandro Psicologia em Movimento desta quarta (05), o professor Sylvio Ferreira trouxe para os ouvintes do programa um texto sobre o coração, mas não um simples coração, e sim, um que ama duas pessoas ao mesmo tempo ou que pelo menos acredita nisso. O Artigo data de 1997, quando foi publicado no Caderno Família do Jornal do Commercio.

Ouça Psicologia em Movimento na íntegra:

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Entre dois amores

Por Sylvio Ferreira

"O coração dividido entre dois amores é um coração inquieto. Ele sabe muito bem o que não quer, mas não tem certeza de que encontrou o que procura. E essa falta de certeza faz com que os sentimentos oscilem tal qual um pêndulo, de um lado para o outro. O que leva o coração a balançar mais para um lado do que para o outro, na dependência da direção em que o pêndulo se move.

O coração acredita que ama, mas é difícil saber onde se encontra o verdadeiro amor. Enquanto não for capaz de descobrir quem verdadeiramente ama, o coração continuará a enganar a si próprio acreditando que ama duas pessoas ao mesmo tempo. Uma doce – e, muitas vezes, cômoda – ilusão essa. O amor é um sentimento único e exclusivo. E quem verdadeiramente ama não é acometido de nenhuma dúvida em relação aos seus sentimentos e para quem os mesmos encontram-se voltados.

Quando os sentimentos oscilam entre duas pessoas, existem outros sentimentos a habitar o coração, porém não o amor. O amor é certeza absoluta e o coração de quem ama não comporta dúvidas, tampouco vive em estado de inquietação. O que pode acontecer é uma pessoa sentir-se completa, em seus sentimentos e desejos, relacionando-se simultaneamente com duas pessoas.

Cada uma delas poderá, então, de diferentes modos, preencher as suas expectativas e necessidades. Contudo, onde existe amor não há lacunas a serem preenchidas. O amor é um sentimento que faz com que a pessoa se sinta plena, e, enquanto tal, preenche inteiramente a vida de alguém. Haja vista que o amor embora habite o coração, tem origem no imaginário. O que quer dizer que nada lhe falta e tudo lhe basta.

O que ocorre é que uma pessoa pode ser levada a confundir uma profunda necessidade sua de ser amada, por duas pessoas, com a possibilidade de, efetivamente, dividir o seu coração entre dois amores. O que representa uma avaliação ou julgamento equivocado da questão. O coração dividido apenas engana outros corações e a si mesmo. Acena com esperanças, quando lhe falta certeza. Ilude e é iludido. Vive encantado e envaidecido por ser amado por duas pessoas, ao mesmo tempo, e só.

Porém, pela própria natureza do amor, que requer exclusividade, o coração que se move entre dois amores não é capaz, no entanto, de amar quem diz que ama: nem uma única pessoa, menos ainda duas ao mesmo tempo. O coração dividido é um coração carente e insatisfeito. Procura o que lhe falta, mas não pode oferecer de – de forma sincera e honesta – o que mais gostaria: o amor pleno e verdadeiro para duas pessoas, que bem podem ter feito por onde merecê-lo."

Esse artigo foi originalmente publicado no Caderno Família do Jornal do Commercio, Recife, PE, em 9 de novembro e 1997.