BBB 22

Linn da Quebrada: Sister pede para ser chamada pelo pronome feminino; entenda a importância do uso correto dos pronomes


Linn da Quebrada, participante do BBB 22, trouxe para debate a importância de ser tradada pelos pronomes corretos para travestis e transexuais

Vitória Floro
Vitória Floro
Publicado em 24/01/2022 às 10:40
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Reprodução / TV Globo
Linn da Quebrada, participante do BBB 22, explica significado da sua tatuagem 'Ela' - FOTO: Reprodução / TV Globo
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A atriz e cantora Lina Pereira, conhecida pelo nome artístico de Linn da Quebrada, 31, entrou no BBB 22 fazendo história como a primeira participante travesti que já passou pelo programa.

Embora a presença de Linn dentro do reality seja um marco para a representatividade das travestis, a agitadora cultural, como a mesma se descreveu durante uma atividade de apresentação entre os brothers, se deparou precisando enfrentar um convívio com pessoas que não possuem um conhecimento aprofundado a respeito das questões de identidade de gênero.

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Antes mesmo de completar 24h dentro da casa, Linn, que entrou no programa três dias depois da estreia após cumprir isolamento em um hotel por ter testado positivo para covid-19, já havia sido chamada de “ele” pela participante Eslovênia.

A situação aconteceu quando alguns brothers estavam reunidos comendo na mesa da cozinha. Ao pedir um pouco de pimenta para entregar a Linn, Eslovênia explicou que o condimento deveria ser entregue “para ele” e imediatamente foi corrigida pela cantora que esclareceu: “é para ela”.

Um dia depois, na sexta-feira (21), os confinados participaram de uma nova dinâmica da casa, onde poderiam mandar torpedos anônimos para os colegas de reality. As mensagens foram exibidas no telão e foi nesse momento que os participantes e o público puderam ver que Linn havia sido tratada mais uma vez no masculino.

O torpedo enviado para Linn dizia: "Vc está solteiro? Tem alguém perguntando aqui KKKK" , logo em seguida outra mensagem apareceu, tentando corrigir o erro: “"Vc está solteiro (a)? Estão perguntando aqui KKKKKK". Durante a exibição do programa ao vivo, a edição revelou para o público que as mensagens teriam sido enviadas pela médica Laís. No entanto, dentro da casa, Laís não assumiu a autoria das mensagens transfóbicas.

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Reprodução / TV Globo
Torpedo enviado para Linn da Quebrada do BBB 22 - Reprodução / TV Globo

 

O último erro aconteceu durante a festa deste sábado (22) e envolveu mais uma vez a participante Eslovênia. Durante uma conversa, a modelo chamou Linn de “amigo” e imediatamente corrigiu para “amiga”, pedindo desculpas. Na ocasião, Linn fez questão de alertar a sister de uma forma mais clara e explicou que “não dá mais para ficar errando”.

Ela tatuado na testa

Após a série de eventos transfóbicos, o público pressionou a direção do programa para que os confinados recebessem um “puxão de orelha” do apresentador, Tadeu Schmidt, sobre o uso correto dos pronomes femininos com Linn.

Neste domingo (23), antes da formação de paredão, um dos momentos de maior audiência do reality. Tadeu abriu espaço para que Linn pudesse explicar o significado da tatuagem que possui na testa com o pronome ‘Ela’.

“Eu fiz essa tatuagem por causa da minha mãe, porque no começo da minha transição, em parte, minha mãe ainda errava e me tratava no pronome masculino. Daí eu falei ‘mãe, eu vou tatuar ela na minha testa para senhora não errar mais’. E acho que também é uma indicação para todas as outras pessoas. Ficou na dúvida? Lê e aí vocês lembram que eu quero ser tratada nos pronomes femininos”, explicou a sister que foi aplaudida pelos colegas.

Antes do ao vivo, Linn já havia demonstrado para alguns colegas de casa que não estava se sentindo confortável com o erro contínuo dos participantes. Em uma conversa com Arthur Aguiar, a sister demonstrou estar irritada com a situação e cansada de ter que se explicar a todo momento. “Parece que eu sempre tenho que estar explicando, voltando em uma coisa que já sabem, porque algumas vezes a gente se permite a continuar errando”,  ressaltou.

Microagressões e transfobia

Embora os participantes da casa façam questão de frisar que os erros em relação ao uso do pronome masculino com Linn são deslizes sem a intenção de ofender, esse tipo de comportamento, por mais inocente que seja, é considerado uma Microagressão.

Esse tipo de preconceito pode ter ligação com qualquer minoria social e se caracteriza por falas estereotipadas ou afirmações carregadas de vieses inconscientes. Usar pronomes masculinos com Linn, por exemplo, pode indicar uma dificuldade interna de aceitar que uma pessoa nascida biologicamente como homem possa se identificar como mulher.

No entanto, apesar da nomenclatura, essas falas abordam uma transfobia velada que tem um potencial devastador na autoestima das travestis e de pessoas transsexuais.

Em um estudo feito pela Harvard Business Review, as microagressões causam, ao longo do tempo, um impacto negativo na saúde mental e psicológica das pessoas, provocando queda de desempenho no trabalho, diminuição no engajamento com outros e menor confiança em si mesmas.

A declaração de Linn reforça que deslizes como esses devem ser evitados, pois contribuem para a mentalidade transfóbica e preconceituosa de não aceitação dos corpos travestis na sociedade.

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