Caso Miguel: familiares realizam ato em frente ao MPPE pedindo justiça

Miguel Otávio, de 5 anos, faleceu no dia 2 de junho, após cair de uma altura de 35 metros quando estava sob os cuidados da patroa de sua mãe

INQUÉRITO
Caso Miguel: familiares realizam ato em frente ao MPPE pedindo justiça

Grupo seguiu até o prédio do MPPE pedindo justiça no caso Miguel - Foto: Wellington Lima / JC Imagem

Amigos e familiares Mirtes Renata Santana de Souza se juntaram à mulher em uma passeata, pelo centro do Recife, nesta segunda-feira (13). O objetivo da manifestação foi pedir, mais uma vez, justiça no caso do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de apenas 5 anos, que ao cair do nono andar do Condomínio Píer Maurício de Nassau, na área central do Recife, no dia 02 de junho.

Segundo Mirtes, mãe de Miguel, o apelo é para que o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) ofereça denúncia contra Sarí Corte Real. “Ela foi muito irresponsável com meu filho, causando a morte dele. Eu vim aqui em frente ao Ministério Público pedir para que ele dê atenção ao caso do meu filho e aceite a denúncia para que o caso de Miguel chega às mãos dos juízes para que seja feita a justiça e Sarí seja presa”, afirmou.

No inquérito realizado pela Polícia Civil, Sarí foi indiciada por abandono de incapaz, com resultado morte. A conclusão foi entregue ao MPPE no dia três deste mês.

A previsão é que o órgão anuncie, nesta terça-feira (14), se vai oferecer denúncia à justiça, arquivar o caso ou solicitar outras ações à polícia. O nome do promotor designado para a análise dos autos não foi divulgado.  

A pena prevista para o crime de abandono de incapaz, resultando em morte, é de quatro a doze anos de prisão. Na conclusão do delegado responsável pelo inquérito, Ramon Teixeira, houve dolo na atitude de Sarí, ao abandonar Miguel sozinho no elevador do prédio em que ela mora. Mas a tipificação penal também pode ser modificada pela promotoria e Sarí só se torna ré, caso a justiça aceite a denúncia que pode ser oferecida pelo ministério público.

Relembre o caso Miguel

Miguel tinha apenas 5 anos e, segundo a polícia, sua morte foi causada após negligência da patroa de sua mãe
Miguel tinha apenas 5 anos  
Reprodução/ Redes Sociais

Miguel Otávio, de 5 anos, caiu de uma altura de 35 metros do Condomínio Píer Maurício de Nassau, na área central do Recife, no dia 02 de junho. Ele estava sob os cuidados de Sarí Corte Real quando ela deixou a criança sozinha no elevador, que o levou até o nono andar do prédio, onde caiu e morreu.

A mãe da criança, Mirtes Renata, trabalhava como empregada doméstica na casa de Sarí e deixou o filho sob a responsabilidade da patroa para descer e passear com o cachorro da família dos patrões. No entanto, após negligência da empregadora, a criança caiu de uma altura de 35 metros. O menino estava procurando pela mãe no momento do crime. 

Imagens do circuito interno de segurança do prédio onde a criança caiu mostraram o momento em que o menino foi deixado sozinho no elevador. Em um vídeo, registrado às 13h08, a dona do apartamento aparece segurando a porta do elevador e conversando com o menino. Em seguida, depois de algum tempo de conversa, Miguel sai do equipamento. Dois minutos depois, ele volta sozinho, entra novamente no elevador e Sarí vai atrás. É neste momento que ela aperta o último botão onde fica a cobertura, a porta fecha e Miguel aciona outros andares. Antes de parar no nono andar, o elevador parou no sétimo andar.  

Mirtes contou ainda que Sarí estava fazendo as unhas com uma manicure no momento em que Miguel caiu. 

Sarí Côrte Real é espora do prefeito de Tamandaré, no Litoral Sul de Pernambuco, Sérgio Hacker. Ela foi presa em flagrante por homicídio culposo e liberada, após pagamento de fiança no valor de R$20 mil. 

De acordo com a polícia, as imagens das câmeras de segurança foram a principal prova da "negligência" da mulher, como a polícia definiu. 

Sari Corte Real foi ouvido nesta segunda-feira
Sari Corte Real foi indiciada por abandono de incapaz seguido de morte
Yaci Ribeiro/ JC Imagem

A conclusão do inquérito, comandado pelo delegado Ramón Teixeira, foi apresentada nesta terça-feira (1º). A Polícia Sarí Côrte Real foi indiciada por abandono de incapaz seguido de morte. Se condenada, a patroa pode pegar de quatro a 12 anos de prisão.

O delegado Ramon descartou a possibilidade do homicídio doloso e do dolo eventual. Ele ressaltou que o inquérito buscou agir de forma isenta. 

O inquérito foi remetido ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que pode rejeitar o relatório da Polícia Civil.

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